terça-feira, 22 de julho de 2014

Conheça de perto o Projeto AVE LÃ!

No próximo sábado eu estarei no Clube Literário de Pouso Alegre durante a manhã apresentando o projeto, fazendo demonstrações e ensinando quem desejar aprender sobre fiação e processamento da lã de carneiro.


O evento gratuito é um oferecimento da ACAJAL, associação cultural aqui da cidade; além de aprender muito, você poderá ajudar o projeto e a associação adquirindo o kit com sacolinha, fuso e lã de carneiro natural e brasileiríssima:



Os visitantes também poderão obter informações sobre as oficinas regulares e gratuitas oferecidas pelo projeto a partir de agosto.

Esperamos vocês lá!

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Receita de tricô - Luvinhas Sem Dedos, Modelo 2

Depois da breve chuvinha de ontem à tarde, a terra mal ficou molhada, mas a temperatura despencou! Hoje por volta de 7 horas até parecia que estava chuviscando - a neblina molhava o rosto sem dó. MUITO frio! Então é hora de tricotar mais luvinhas sem dedos. Prometi várias receitas, então vamos lá!

Este modelo também está no Ravelry, e é oferecido gratuitamente*; é muito rápido, fácil e básico, exceto pelos detalhes de trança em slip stitch - um ponto que a gente passa sem fazer, e que cria uma espécie de relevo no ponto meia.

Modelos confeccionados por membros do Ravelry - copyright nas fotos.


INGREDIENTES:

- cerca de 200m de fio de espessura média - como o Acalanto ou o Elegance;
- agulhas para meias** (jogo de 5 DPNs) na numeração que fizer você alcançar a tensão de 20 pontos/10cm;
- 2 marcadores (argolinhas pequenas ou alfinetes)

MODO DE FAZER***:

Monte 32 pontos e divida em tres agulhas: 12 pontos na primeira, 12 na segunda e 8 na terceira; coloque o marcador e una as extremidades para fazer o trico circular (cuidado para não torcer os pontos!)

Carreiras 1-2: trabalhe em ponto tricô
Carreiras 3-5: trabalhe em ponto meia
Carreiras 6-7: ponto tricô
Carreiras 8-10: ponto meia
Carreiras 11-12: ponto tricô

Pronto, você acaba de criar o punho da luvinha. Agora você vai mudar para o ponto que vai formar a luvinha, que é assim:

Carreira 1: 3M, SL 1;
Carreira 2: tudo em meia.

"SL 1" quer dizer "slip 1", ou "passe 1 ponto sem fazer": você vai manter o fio por trás do trabalho e passar 1 ponto da agulha da esquerda para a agulha da direita, SEM TRABALHÁ-LO; apenas passe de uma agulha para a outra, introduzindo a agulha como se fosse fazer um ponto tricô.

Trabalhe alternando essas duas carreiras 10 vezes (você terá um total de 20 carreiras)

Na próxima carreira é hora de criar o "dedão":

Carreira 1: 1M, coloque o marcador, 1M, coloque outro marcador, continue seguindo com o ponto utilizado na luvinha inteira até o fim da carreira;

Carreira 2: 1M, passe o marcador, faça um ponto novo****, tricote até o próximo marcador, faça outro ponto novo, passe o marcador; tricote normalmente até o fim da carreira;

Carreira 3: Tricote normalmente (entre os marcadores você fará apenas ponto meia; fora dos marcadores mantenha o ponto usado na luvinha inteira);

Carreira 4: atenção - aqui voce vai novamente fazer os aumentos do dedão: 1M, passe o marcador, faça um ponto novo, tricote até o próximo marcador, faça outro ponto novo, passe o marcador; tricote normalmente até o fim da carreira;

As próximas duas carreiras serão simples; ou seja, você deve trabalhar sempre uma carreira com aumento entre os marcadores, e duas carreiras simples, LEMBRANDO QUE FORA DOS MARCADORES VOCÊ DEVE MANTER O PONTO UTILIZADO NA LUVINHA INTEIRA.

Trabalhe desta forma até que tenha 11 pontos entre os marcadores.

Na próxima carreira voce deve separar os pontos do dedão para trabalhar posteriormente: faça 1M, remova o marcador, transfira os 11 pontos do dedão para um pequeno alfinete de fraldas, crie 1 ponto, remova o segundo marcador, tricote normalmente até o fim da carreira.

Modelo confeccionado por mim; o fio utilizado é o Cascade 220, 100% natural, sobrinha deste projeto.


Trabalhe mais 12 carreiras normalmente. Faça um acabamento semelhante ao do punho, porém menor:

Trabalhe duas carreiras em tricô;
Trabalhe três carreiras em meia;
Trabalhe 1 carreira em tricô, e arremate na segunda carreira em tricô.

Agora vamos ao dedão: coloque nas agulhas os pontos que separou no alfinete; tricote-os e "pegue" mais quatro pontos no espaço da luvinha até juntar com o primeiro ponto que estava no alfinete; agora você tem 15 pontos; distribua 5 em cada agulha. tricote em meia por 4 carreiras (eu sei, é bem chatinho trabalhar circulamente com tão poucos pontos.. mas vai ser rápido, tenha fé!);

Trabalhe uma carreira em tricô, e arremate (em tricô) na próxima.

Pronto, você conseguiu!!!!

Não se esqueça da filosofia da Elizabeth Zimmermann que citei na primeira receita de luvinhas: quando você estiver tricotando tudo vai fazer mais sentido.

Se tricotar estas luvinhas não deixe de enviar uma foto para a gente publicar.

Até breve!!!

* Assim como todas as receitas oferecidas gratuitamente em sites e blogs, devemos respeitar o autor e não utilizar a receita para obter qualquer tipo de lucro: tricote para você mesma ou para presentear - não venda o projeto pronto nem compartilhe a receita visando lucro. Se você criar uma receita e compartilhar de graça, generosamente, não vai gostar de saber que tem gente lucrando em cima de seu trabalho, certo?

** Falei sobre essas agulhinhas, mostrei onde comprar e indiquei onde aprender a usar em outra postagem com receita de luvinhas.

*** Eu dividi essa receita em "ingredientes" e "modo de fazer" porque requentemente eu comparo receitas de tricô e projetos de patchwork a receitas culinárias; para tricotar ou fazer patch precisamos de receitas, mas o barato, assim como na culinária, é que podemos adaptar em cima das "receitas" originais... por que não fazer aquela velha torta de frango com recheio de calabresa? Você agora já tem duas receitas de luvinhas: dois tipos de dedão diferentes, dois tipos de punho, pontos diferentes utilizados... invente, misture, crie seu próprio modelo! Repare na foto no alto da postagem: no primeiro modelo, a pessoa prefiriu utilizar uma sanfona tradicional como punho; no segundo modelo foram utilizadas cores alternadas no punho; o terceiro modelo é uma luvinha fechada, sem os dedinhos de fora!; e o terceiro é o original, mas o fio matizado fez toda a diferença. A gente pode e deve customizar as receitas!

**** na receita anterior de luvinhas eu expliquei melhor sobre esse tipo de aumento.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Uma Participação Especialíssima!

Por estar à frente de um ateliê de patchwork, eu tenho o privilégio de conhecer muita gente talentosa, criativa e empreedora aqui em Pouso Alegre! Eu e algumas alunas criamos o grupo Arteiras em dezembro do ano passado e temos organizado bazares super charmosos e alternativos na cidade! O segundo aconteceu no último fim de semana. Mas euzinha, envolvida demais com aulas e outros projetos, acabei não tendo tempo de produzir para comercializar, e nesse segundo evento minha participação foi só o apoio moral, e o convite para apresentar ao público o projeto AVE LÃ! Passei o sábado na Galeria Signum Dei, montei um cantinho especial com material de fiação e peças prontas em feltragem, e passei o dia à disposição de quem desejava conhecer e aprender:








A Galeria Signum Dei acaba de ser reformada e reinaugurada, e promete abrigar muitos acontecimentos especiais:


E esta é a turma especial que tenho a sorte de conhecer: (da esquerda para a direita) Patrícia Toledo e Consuelo Gonçalves, minhas alunas de patchwork e participantes do Bazar. E, em muitos aspectos, minhas professoras! E Neide Gonçalves, artista plástica e proprietária da Galeria Signum Dei. 


Não resisti incluir uma foto das Caixeiras Amana Tikyra, que se apresentaram durante o sábado: elas confeccionam seus próprios tambores e transmitem muita paz e serenidade, que têm tudo a ver com o artesanato e a sustentabilidade:


O estandarte das caixeiras também foi feito artesanalmente, por minha aluna Débora Moraes, aqui no ateliê; eu orientei a parte do patchwork, mas a concepção e a montagem muito originais são totalmente dela - tenho muito orgulho dessas meninas:


A participação nesse evento reforçou meu pensamento de que a lã está voltando para ficar. Em breve estaremos em mais um evento aqui na cidade. Aguardem!

quinta-feira, 8 de maio de 2014

E o Brasil Também Vai Fiar!

Há tempos acompanho o universo das fibras aí pelo mundo, e me frustro porque no Brasil não parecia haver interesse nessa área; mas isso está mudando: há pessoas e empresas com uma mentalidade diferente, e quem se interessa já encontra materiais e informações - com alguma dificuldade ainda, mas já é um começo!

Palmas em especial para a Fazenda Caixa D'Água, que além de produzir fios 100% naturais também oferece fusos para fiar e fibra preparada. Já mostrei essa novidade em uma postagem anterior. E para ajudar quem não conhece e não sabe como usar um fuso, recentemente eles postaram em seu blog este artigo com a história dos fusos e um vídeo onde a artesã Clara Quintela mostra como fiar.

Aqui em Pouso Alegre estamos fazendo nosso trabalho de formiguinha: o projeto AVE LÃ vai estar no Bazar das Arteiras neste sábado, das 10 às 20h, oferecendo demonstrações gratuitas de processamento e fiação da lã - além de exibir lindas peças artesanais em tricô e feltragem.




O Bazar das Arteiras é iniciativa de um seleto grupo de artesãs da cidade e esta é sua segunda edição - que vai oferecer presentes exclusivos para o Dia das Mães, sarau artístico e muitas delícias para saborear. O evento acontece na Galeria Signum Dei - um espaço maravilhoso aqui da cidade que acaba de ser reformado e agora vai ser inaugurado com o bazar.



E vem aí: o segundo Picknit - Tricô no Parque! - de Pouso Alegre. Mais informações na próxima semana. Até lá!

quarta-feira, 30 de abril de 2014

As Pequenas Notáveis

Ele chegou. De repente, atropelando o outono... o frio! Tivemos uma madrugada gelada aqui no Sul de Minas - zero grau em Monte Verde! - e o momento não podia ser melhor para cumprir minha promessa: traduzir as receitas de luvinhas tricotadas sem dedos - projetos pequenos, muito rápidos de confeccionar, e excelentes presentes.


Vou começar pelo modelo mais simples de todos os que encontrei no Ravelry - uma luvinha muito básica que usa menos de 100 metros de fio. No modelo da foto eu usei o fio Akona, da Gedifra; mas é possível usar qualquer fio da espessura do Lã Seda ou Elegance, ou até um pouco mais grosso. Mas quer ouvir minha sugestão do fio nacional ideal? O merino da Fazenda Caixa Dágua, que já mostrei aqui.


Esse tipo de luvinha é tricotada em círculo, com jogo de agulhas para meias - também conhecidas como DPNs, ou Double Pointed Needles - agulhas de duas pontas. Elas se parecem com pauzinhos-de-laranjeira, daqueles usados por manicures. O jogo vem com cinco e aqui no Brasil são difíceis de encontrar; eu gosto das agulhas da marca Pony, vendidas no Bazar Horizonte.

Se você nunca fez tricô circular com agulhas de duas pontas, vai precisar da ajuda de um tutorial e de um pouquinho de treino; neste link você encontrará alguns tutoriais - veja qual deles é mais claro para você. Quando a gente tenta pela primeira vez é uma comédia: parece brincadeira de pega-varetas, tudo desengonçado... mas é bem gostoso depois de pegar o jeitinho! Não desista; você só precisa adquirir a coordenação motora para esse tipo de tricô, e isso só vem com a prática. 

E agora vamos à receitinha:
TENSÃO: aproximadamente 18 pontos/10 cm em ponto meia.

AGULHAS: use a numeração que resulte na tensão acima; a maioria das tricoteiras que conheço tricota bem apertadinho, mas meu ponto é mais frouxo; ou seja, o número da agulha vai variar de pessoa para pessoa.

1) Comece pelo punho: monte 32 pontos e divida em três agulhas: 12 pontos na primeira agulha, 12 pontos na segunda agulha e 8 pontos na terceira agulha. Feche para tricotar em círculo, tomando o cuidado de não retorcer os pontos; coloque um marcador de início de carreira, se desejar (eu não usso esse marcador: sei que estou no inicio de uma carreira por causa do rabinho do fio!)

2) Trabalhe em sanfona de 2 x 2 (2 pontos em meia, 2 em tricô) por uns 5 cm (ou mais, se desejar);

3) Mude para ponto meia e trabalhe duas carreiras simples; 

4) Na terceira carreira em ponto meia você vai iniciar os aumentos para o dedão: faça 16 pontos em meia, coloque um marcador; faça um aumento*, 1 ponto meia, outro aumento, e coloque outro marcador; tricote normalmente em meia até o fim da carreira.

* Esse aumento é daquele tipo em que a gente pega um fio da carreira de baixo com a ponta da agulha e faz um ponto na argolinha resultante. Faça aumentos espelhados: você sempre vai fazer dois aumentos entre os marcadores, então faça um pegando o fio pela frente e o outro pegando o fio por trás. Em inglês esses aumentos são chamados de M1L e M1R ("fazer um ponto à esquerda" e "fazer um ponto à direita"). Se não conhecer, pesquise um vídeo no Youtube. Lá tem de tudo! Nas carreiras com aumento, você vai sempre: passar o primeiro marcador, fazer o aumento, tricotar em meia até o próximo marcador, fazer o segundo aumento, passar o marcador;

5) Você fez uma carreira incluindo os aumentos; agora trabalhe duas carreiras simples, em meia, sem aumentos; apenas passe os marcadores de uma agulha para outra ao alcançá-los;

6) Continue intercalando uma carreira com os aumentos e duas sem aumentos; prossiga dessa forma até que você tenha 13 pontos entre os marcadores;

7) Faça uma carreira simples em meia; na próxima carreira: tricote normal até o primeiro marcador; remova o marcador; arremate os pontos até o próximo marcador; remova o segundo marcador; tricote normal até o fim da carreira;

8) Tricote 7 carreiras normais em meia;

9) Mude para o ponto sanfona; tricote 8 carreiras** e arremate os pontos. Pronto!

** Se você possuir tamanhos variados de agulhas de duas pontas, faça as primeiras 4 carreiras da sanfona final com a mesma agulha que usou desde o início e as últimas 4 carreiras com agulhas menores uma numeração; isso ajuda a sanfona a ficar bem ajustada nos dedos.

Agora vou dar uma dica que aprendi com a Elizabeth Zimmermann (já escrevi sobre ela em outra postagem): não se deixe intimidar por NENHUMA receita. Quando a gente lê parece complicado, mas respire fundo, tenha fé e comece: cada etapa vai fazer sentido no devido tempo.

Logo estarei de volta com outros modelos de luvinhas; mas use sua imaginação e tente incluir variações no modelo acima. Varie os pontos, comprimento do punho, faça sanfonas decoradas... há muitas possibilidades!

Boa sorte, e que venha o inverno!

terça-feira, 22 de abril de 2014

Voltando da Hibernação

Olá!

Impressão minha ou estou, mais uma vez, escrevendo uma postagem cujo título inclui a palavra"voltando"? Bem, em minha defesa só posso dizer que mesmo aqui no sul de Minas tivemos um verão senegalês - e prolongado! Eu sei que "hibernar" tem a ver com inverno, mas criei este ano uma versão da palavra para o calor; não dormi o tempo todo, mas certamente foi um período muito improdutivo. Tocar em lã, então, nem pensar!

Mas finalmente, junto com o friozinho, veio redobrada a vontade de mexer com lã, e já tenho algumas produções para mostrar:


Este poncho foi inteiramente tricotado (e crochetado) com lã que eu mesma fiei na roca de pedal; a lã, que mostrei nesta postagem de um tempão atrás (e mostrei nesta outra o processo de fiação), veio do Rio Grande do Sul. Como podem perceber pelas datas das postagens, já faz um bom tempo que comprei essa lã; depois de fiada fiquei tão encantada que precisei de um "período de adoração" - termo cunhado por minha amiga Rosie, de Niterói: não deu para usar logo - fiquei só namorando o fio e esperando um projeto ideal, para usá-lo sem piedade! 

Eu tinha feito um poncho muito parecido com este, anos atrás, com lã fiada e tingida em casa; mas isso foi quando eu estava aprendendo e o resultado ficou bastante duvidoso; mesmo assim, usei aquele poncho pra caramba, dentro de casa... até o dia em que o coloquei na máquina de lavar por engano e ele encolheu - processo conhecido por feltragem. Fazer o quê? Como aqui em casa nada se perde, no último Halloween eu o cortei em tiras e ele virou parte da fantasia de Nazgul do meu filho! Agora fiz este novo poncho para me consolar.

Vocês não acreditam como essa peça é quentinha...! Só pondo a mão para ter idéia. E essa oportunidade você vai ter logo, em evento do projeto AVE LÃ que acontecerá aqui em Pouso Alegre no mês de maio. Acompanhem as notícias na página do projeto no facebook.

E como todos os anos, nessa época também começo a tricotar luvinhas sem dedo para os amigos. Já estou no segundo par, mas estou indo devagar porque prometi publicar as receitas em português. Estou tricotando e tomando notas... Eu sempre uso receitas em inglês que consigo no Ravelry; e como as que tricoto são receitas gratuitas, não há problema em traduzir e compartilhar, com o consentimento dos designers originais. Vou começar a divulgar essas receitas aos poucos nas próximas postagens.

Não conhece ainda as luvinhas sem dedos?! São deliciosas de usar e muito práticas para quem fica um tempão digitando. Aqui onde moro não dá para viver sem. Abaixo, as fotos de modelos que tricotei nos últimos anos, e cujas receitas publicarei em breve:


Até a próxima!


domingo, 2 de fevereiro de 2014

Voltando às Atividades!

Olá!

Estou um pouco envergonhada por esta ser a primeira postagem do ano - hoje, dia 2 de fevereiro. Não vi o fim de 2013 chegar, e mal vi o primeiro mês de 2014 passar.

Muita coisa aconteceu nesse período. No ano passado, em outubro, realizamos uma mostra grande de patchwork - uma retrospectiva - aqui na cidade, e isso nos consumiu muito tempo (fotos aqui). Quando a mostra terminou já era novembro: estávamos em preparativos para um bazar de Natal; depois veio o próprio Natal e em janeiro um calor senegalês, como disse uma amiga minha (e ela mora em Curitiba...). Também em janeiro realizei uma empreitada hercúlea: mudei meu ateliê para um novo espaço, o que envolveu obra, quebradeira, poeira, tempo, grana... enfim, tudo isso me impediu de ter muito o que postar aqui no blog das fibras.

Mas para provar que não me esqueci do projeto nesse período, aqui vão algumas novidades:

1) O Projeto AVE LÃ! está sendo lançado oficialmente; temos agora uma página no facebook; vamos utilizá-la para divulgar atividades do projeto e também para fins educativos: em geral, as pessoas desconhecem os usos da lã, suas propriedades e possibilidades; e principalmente, pouca gente se dá conta de que ela já foi muito utilizada em nossa região. Pode parecer que o conteúdo da página e aqui da blog é o mesmo; mas as postagens da página serão sempre curtas, e aqui no blog eu vou continuar desenvolvendo bem mais os assuntos (quem acompanha sabe que as postagens são quase sempre longas). Já temos 97 curtidas na página e estamos esperando a sua!



2) Apesar do silêncio, estive "tramando" durante esses últimos meses: o projeto adquiriu um pacotão de lã do tamanho de minha casa (tá, exagerei) e conseguimos uma pessoa na cidade que está fabricando fusos para a gente. A partir de março estaremos em locais públicos fazendo demonstrações de fiação artesanal e quem gostar poderá adquirir um kit de sacolinha personalizada, fuso e lã natural. Mas avisamos desde já: fiar é viciante!

Este pacotão contém 3 quilos de lã; parece pouco, mas lembre que um novelo comprado geralmente tem 50 gramas; aqui ela está compactada, mas quando tiro do pacote parece que triplica de volume.

A lã é de carneiros de raça não definida, mas veio cardada e tem boa qualidade - ótima para fiar; mas não serve, por exemplo, para tricotar um cachecol. A cor natural e o cheirinho são deliciosos (eu gosto de cheiro de carneiro, uai); ela veio de Itamonte - do Sítio do Bicho Sem Vergonha. Visitem o site e vejam que delícia de lugar.

Este é um fuso. Não, não tem perigo de furar o dedo - mesmo depois de instalar o ganchinho que ainda está faltando. Fusos são peças extremamentes simples e até hoje fia-se com a ajuda dele em muitas culturas em todo o planeta.

Estes fusos foram encomendados pelo AVE LÃ! a um profissional que fabrica... instrumentos musicais! Ele produziu alfaias - tambores de maracatu - para um projeto de música de ACAJAL, e pelas ferramentas que usa imaginamos que daria para ele fabricar os fusos. Esse rapaz caiu do céu!

3) Continuo indo atrás de carneirinhos aqui na região; durante as férias estive em uma propriedade em Maria da Fé: acho que essa é maior criação de carneiros que visitei aqui por perto até agora; o proprietário é Grego e conversar com ele foi uma delícia. Fascinada pelas histórias, acabei não fotografando as peças lindas que ele ia mostrando - feitas por três irmãs de uma cidade vizinha: elas mesmas processam, lavam, cardam e fiam a lã, e trabalham maravilhosamente no tear. Mas estamos programando uma visita a elas, e aí terei fotos, com certeza; mas os carneirinhos eu fotografei (perdoem o dedinho na primeira foto):




4) Mesmo sem estar postando, tenho trabalhado um pouco com lã, apesar do calor: no momento estou fiando essa BFL (Blue Faced Leicester) misturada com seda Tussah que comprei de fora do país. O nome da cor é Creme Bruleé e está ficando maravilhosa. Junto com ela veio o ganchinho especial para puxar a fibra pelo orifício da roca. 



Por enquanto é só. Continuem nos acompanhando! Até breve.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Férias Forçadas

Olá! Desculpem, sei que o blog anda um pouquinho no abandono... quem me conhece sabe que ando super atarefada por conta da 5ª Mostra de Patchwork de Pouso Alegre, que meu ateliê organiza todos os anos em parceria com a ACAJAL, e que estréia na quarta que vem, dia 16.

Hoje estou abrindo um parêntese para anunciar uma ótima oportunidade para quem se interessa pelo trabalho artesanal com a lã de ovelha - um curso com a mehor professora do país, e em um lugar maravilhoso onde já estive:


Eu visitei o local e conheci as pessoas especiais que o comandam no ano passado, em uma visita que descrevi aqui. Para mim ainda não vai ser dessa vez... quem puder, se joga!

Mas, por mais que o blog esteja parado no momento, depois da mostra eu prometo postagens novas e muitas novidades - incluindo o lançamento oficial do projeto AVE LÃ!, do Núcleo de Artesanato da ACAJAL, do qual sou coordenadora. Aguardem! E enquanto esperam, não deixem de visitar nossa exposição de patchwork:

Até breve!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Eles ainda não aprenderam...

Ando quietinha, né? Tenho tricotado um pouco e fiado alguma coisa, mas devagarzinho: o ateliê de patchwork anda me tomando bastante tempo - o que é bom! Mas aí restringe meu tempo dedicado às pesquisas.

Frio cruel aqui no Sul de Minas, inverno a todo vapor (essa semana o sereno congelou de madrugada no teto dos carros em Monte Verde), mas as lojas já estão liquidando os fios encalhados. Todo ano eu mostro isso, mas parece que os fabricantes ainda não aprenderam... acho que só desenhando!

Então vou explicar de novo:

Fabricantes, vocês ficam lançando, todos os anos, fios sintéticos, cheios de frescura, grandalhões...mas a gente não quer isso; a gente quer coisa boa. Aí encalha tudo, e depois vocês liquidam por preços muitas vezes reduzidos em mais de 50%... uma sacanagem com quem comprou ANTES da liquidação, né? Desculpem o termo, mas não tem outro.

Duvida? Confira no link:

http://www.bazarhorizonte.com.br/croche-%26-trico/*saldao*/&sid=56&cm1=4&cm2=37&utm_source=news-220&utm_medium=newsletter&utm_campaign=saldao-marcas

Agora, alguém me explica o seguinte: por que esse fio aqui nunca vai para o saldão?

Imagem do site Bazar Horizonte

Este é o Cisno Merino - aqui no Brasil o melhor fio dos grandes fabricantes no momento: 50% merino (lã naturalíssima!) e 50% microfibra. Ainda não é o ideal, mas é o que temos de melhor: um fio de boa composição, clássico, básico, que permite fazer trabalhos realmente elaborados, elegantes, com pontos bem trabalhados. O Cisne Merino não vai para o saldão porque existe demanda para ele - é isso que a gente quer, viram, Srs. Fabricantes?

Entenderam, ou querem que desenhe?

Por tudo isso é que, mesmo com pouco tempo, não desisto das pesquisas. Ando descobrindo carneirinhos em mais cidades aqui da região. Notícias em breve!

Inté!

terça-feira, 9 de julho de 2013

Uma fibra... diferente!

Todos sabem que meu foco principal aqui é a lã de ovelha; às vezes também falo de algodão, bambu, mohair, alpaca... bem, hoje a "estrela" é uma fibra completamente diferente: a fibra de bananeira.



Conheci trabalhos feitos com o aproveitamento do tronco da bananeira quando visitei o projeto Gente de Fibra, em Maria da Fé, aqui no Sul de Minas. Escrevi uma postagem sobre essa visita aqui. Hoje volto ao assunto por conta desse curso que acontece no mês que vem:


Eu não vou poder participar, mas lembro que na época da postagem houve gente que mencionou nos comentários a vontade de aprender. Então, o que estão esperando? Aproveitem! E quem for, por favor, tire fotos e conte pra gente depois como foi.

Até a próxima!

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Nota 100!

100% carneiro
100% natural
100% feito à mão - fiado em roca de pedal e tricotado em casa.

Toda vez que termino de preparar um fio artesanal, demoro o triplo do tempo para decidir em que receita utilizá-lo; e toda vez chego à mesma conclusão: menos é mais! Acabo escolhendo uma peça muito simples - justamente para valorizar a beleza do fio. Dessa vez não foi diferente:




Fiz um cachecol circular duplo - conhecidos como "Infinity Scarves". Todo em ponto meia e tricô. Simples assim. Mas graças ao fio a peça ficou super macia e deliciosa de usar, quentinha de verdade. Agora há pouco fui atrás de casa fotografá-la e já deu vontade de sair usando, já que a temperatura despencou aqui no Sul de Minas de ontem para hoje.

O fio é um two-ply: dois singles retorcidos juntos; a espessura ficou entre 3 e 4, e essa irregularidade é o charme dos fios artesanais. A fibra original - lã de carneiro das ilhas Falkland - era essa coisa linda:


E escrevi mais sobre ela aqui e aqui.

Por hoje é só. Até a próxima!

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Fazendo Mágica com Lã - II

Na última postagem eu mostrei a forma milagrosa como a blocagem salva até mesmo a peça que parece ter saído mais desastrosamente errado. Desde então, algumas pessoas me escreveram com dúvidas, e aqui vão mais algumas informações sobre o assunto - além de outro exemplo dessa mágica.

As principais dúvidas das pessoas que me escreveram foram: 1) a peça de lã bóia quando mergulhada na água e 2) a peça sai da água enooooooorme, totalmente disforme e aparentemente perdida.

Respondendo uma coisa de cada vez:

A peça de lã bóia, sim, quando a mergulhamos na água; a lã possui propriedades que repelem líquido, e por isso dizem que ela é perfeita quando está nevando: um simples gorrinho de lã proteje a cabeça não só do frio como também da umidade. Da mesma forma; pescadores nórdicos enfiam o pé na água de meia e bota, e afirmam que o pé continua quentinho. Isso na Noruega, na Dinamarca, na Irlanda, na Escócia, na Islândia e outros lugares "fresquinhos"... Por isso, ao mergulhar uma peça de lã é preciso ir apertando suavemente, empurrando para dentro da água e deixando que ela absorva o líquido devagar.

E sim... ao retirá-la da água ela vai estar mesmo molenga e enorme! A impressão que se tem é que está tudo perdido... a fibra da lã é super elástica e expande para valer ao absorver a água.

Mas nada de desespero: primeiro é preciso espremer o excesso de água, depois espremer de novo, delicadamente, dentro de uma toalha bem felpuda. O excesso de água será removido e a peça estará pronta para ser arranjada em uma placa de isopor. Isso é chato, viu? Bem chato. Tem de ter paciência e ir moldando a peça nas medidas planejadas. Tem de alisar bem toda a superfície com as mãos, de forma a tornar os pontos homogêneos. No início desse processo a gente acha que não vai conseguir.

A peça abaixo - a que bloquei mais recentemente - foi tricotada tendo em mente uma medida de busto de 42 polegadas. Quando comecei a arranjá-la na placa, após molhar, a medida do busto era de... 46 polegadas! Quatro polegadas a mais - ou seja, cerca de 10 cm de diferença. Mas no final deu tudo certo, e a aparência do tricô melhorou 100%. Acompanhe:

Suéter ainda nas agulhas; a lã não era uma "brastemp" e não prometia grande coisa...

Suéter pronto: superfície irregular, pontos indefinidos, falta de caimento;

Suéter retirado da água: pontos enooooormes, tudo largão... será que tem jeito?

Peça ainda molhada, mas já arranjada cuidadosamente nas medidas desejadas; agora é só esperar que seque.

Suéter blocado: pontos mais definidos, superfície homogênea, belo drapeado e, principalmente: tamanho certinho!

Que alívio, né?

Outra dúvida que me enviaram foi: fiz tudo direito e a peça não blocou. Bem, nesses casos minha única sugestão é: verifique a composição de seu fio. Fios sintéticos não blocam. Algodão também não; uma peça tricotada em algodão pode ser passada a ferro para melhorar a aparência da superfície, mas o tamanho só vai aumentar mais. Só com a lã natural é possível esse milagre.

Abaixo, mais mágica.  Até a próxima!




Receitas e fios:

Suéter Indigo:
   - a receita é Margot, de Linden Down, gratuita;
   - o fio é o Virgin Wool Deluxe da Ice Yarns.

Colete bordô:
   - Badlands, de Sara Gresbach, à venda no Ravelry;
   - o fio é o 100purewool worsted 3 ply.

Colete vermelho:
   - Mondo Cable Vest, de Bonnie Marie Burns, à venda no Ravelry;
   - o fio é o Queensland Collection Super Aussie.

Cachecol verde:
   - My first lace scarf, publicada no livro "Warn Knits,Cool Gifts" de Sally & Caddy Melville;
   - o fio é o maravilho e infelizmente descontinuado Camelino, da Knit One Crochet Two. 

terça-feira, 14 de maio de 2013

Fazendo mágica com lã

Eu nunca deixo de me espantar com as propriedades da lã. Dá para acreditar que as fotos abaixo mostram a mesma peça tricotada**, ANTES e DEPOIS da blocagem?

 ANTES


DEPOIS

Entre muitas outras características que já citei aqui em inúmeras postagens, a lã tem a capacidade de redistribuição e acomodação das fibras - o que chamamos de resiliência. Se uma peça feita de lã alargar com o uso, por exemplo, ela pode ser molhada e blocada novamente, e voltará ao tamanho original.

Mas o que é blocagem? Blocar é molhar a peça pronta, acomodá-lá em uma superfície plana e deixá-la secar. Só isso. Mas faz milagres, como mostra o exemplo acima.

Vou confessar: quase desmanchei a peça todinha antes de arrematar, pois aparentemente estava tudo errado: ficou curta demais e larga demais para mim; e, graças ao angorá* presente na composição do fio, também estava parecendo algo que meus gatos tivessem usado para dormir em cima. Mas, como a lã já me surpreendeu em muitas outras ocasiões, resolvi ir adiante - arrematar e blocar a peça.

É possível blocar a lã com o vapor do ferro ou borrifando água na peça, mas eu prefiro mergulhá-la logo; uso água com um pouquinho de amaciante, depois espremo bem dentro de uma toalha e então arrumo cuidadosamente em uma placa de isopor, prestando atenção às medidas finais que quero alcançar:


Como o tricô é bem elástico, procurei ganhar medidas no comprimento, e compactei bastante os pontos lateralmente para diminuir a largura da peça. Aí foi só deixar secar e, mais uma vez, a surpresa: ponto para a lã - a peça ficou perfeita!

Em alguns casos, é preciso alfinetar a peça na placa de isopor - principalmente em se tratando de xales trabalhados em pontos rendados. Já mostrei esta peça em outra ocasião, mas vou mostrar de novo:


1.   Peça ainda nas agulhas - não dá para ver o efeito da renda direito;
2.   Xale pronto - molhado, esticado e alfinetado na placa de isopor;
3.   Xale após blocagem - os pontos estão bem abertos, 
a renda aparece bem e a peça tem um belo drapeado!

*Importante: só é possível blocar peças feitas em lã, ou misturas contendo uma boa porcentagem de lã. O fio rosé do xale acima é uma mistura de 50% merino e 50% seda, fiado em casa na roca de pedal; o fio verde uitlizado na peça do alto é o extinto Oxford da Aslan Trends, contendo 60% de lã merino e 40% de fibra de angorá. Não entendo porque a Aslan descontinuou esse fio... é simplesmente o melhor nacional que já usei, e não há nada semelhante no mercado nacional. Ainda ontem recebi e-mail do fabricante divulgando seus lançamentos desse ano - tudo sintéticos! 

** A peça mostrada é uma adaptação da Peasy, de Heidi Kirrmaier; receita à venda no Ravelry. (adaptação porque eu não tinha fio suficiente para as mangas compridas...)

E aí? Vendo essas fotos e aprendendo sobre as qualidades da lã, dá vontade de continuar usando fios acrílicos? Pense nisso!

Até a próxima!