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quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Eles ainda não aprenderam...

Ando quietinha, né? Tenho tricotado um pouco e fiado alguma coisa, mas devagarzinho: o ateliê de patchwork anda me tomando bastante tempo - o que é bom! Mas aí restringe meu tempo dedicado às pesquisas.

Frio cruel aqui no Sul de Minas, inverno a todo vapor (essa semana o sereno congelou de madrugada no teto dos carros em Monte Verde), mas as lojas já estão liquidando os fios encalhados. Todo ano eu mostro isso, mas parece que os fabricantes ainda não aprenderam... acho que só desenhando!

Então vou explicar de novo:

Fabricantes, vocês ficam lançando, todos os anos, fios sintéticos, cheios de frescura, grandalhões...mas a gente não quer isso; a gente quer coisa boa. Aí encalha tudo, e depois vocês liquidam por preços muitas vezes reduzidos em mais de 50%... uma sacanagem com quem comprou ANTES da liquidação, né? Desculpem o termo, mas não tem outro.

Duvida? Confira no link:

http://www.bazarhorizonte.com.br/croche-%26-trico/*saldao*/&sid=56&cm1=4&cm2=37&utm_source=news-220&utm_medium=newsletter&utm_campaign=saldao-marcas

Agora, alguém me explica o seguinte: por que esse fio aqui nunca vai para o saldão?

Imagem do site Bazar Horizonte

Este é o Cisno Merino - aqui no Brasil o melhor fio dos grandes fabricantes no momento: 50% merino (lã naturalíssima!) e 50% microfibra. Ainda não é o ideal, mas é o que temos de melhor: um fio de boa composição, clássico, básico, que permite fazer trabalhos realmente elaborados, elegantes, com pontos bem trabalhados. O Cisne Merino não vai para o saldão porque existe demanda para ele - é isso que a gente quer, viram, Srs. Fabricantes?

Entenderam, ou querem que desenhe?

Por tudo isso é que, mesmo com pouco tempo, não desisto das pesquisas. Ando descobrindo carneirinhos em mais cidades aqui da região. Notícias em breve!

Inté!

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

E as histórias continuam surgindo...

É só revirar que aparece, né?

Quando tive a idéia de implementar aqui em Pouso Alegre um projeto de utilização de lã de carneiro eu parti dos seguintes argumentos:

- aqui faz bastante frio no inverno, e suéter de acrílico não esquenta nada!
- a geografia e a paisagem da região pedem a presença de carneirinhos.

Resumindo: eu não via motivo para não se criar carneiros por aqui (e um veterinário especializado confirmou isso); e não aceito que em outros países as fibras naturais sejam facilmente acessíveis, enquanto aqui a gente só encontra fios sintéticos nas lojas.

O desenrolar disso eu já contei aqui: consegui lã natural, bruta, no Rio Grande do Sul, comprei uma roca e passei a fiar minha própria lã (quem conheceu o blog depois disso pode ler essas postagens lá nos arquivos de dezembro, janeiro e fevereiro).

Mas eu não nasci para guardar as coisas só para mim. Sou do tipo que experimenta algo novo e não sossega enquanto não faz todos à sua volta experimentar também. Venço pelo cansaço. Esse trabalho com as fibras virou minha paixão, e comecei a tagarelar sobre ele com todo o mundo. A ponto de os amigos  me presentearem com miniaturas de carneirinhos! E conversa daqui e dali, as histórias começaram a surgir - de gente que lembra de pais ou avós criando carneiros, cardando lã, recheando acolchoados, fiando. Aqui na região. Não vou citar o link para nenhuma postagem em especial porque já falei de histórias assim várias vezes aqui no blog. O caso mais recente que contei, umas duas ou três postagens atrás, foi o da D. Zélia Scholz, artesã famosa de Curitiba. Ou eu achava que era de Curitiba. Na verdade ela é de Jacutinga, aqui pertinho, e cresceu aqui aprendendo seu ofício com a mãe e a avó. Ela é o principal exemplo vivo de que essa atividade já foi comum no sul de Minas.

E por que isso desaparece? Por que as tradições acabam? A gente se perde no emaranhado da vida moderna e se esquece de cultivar a habilidade manual, de respeitar os processos bem mais naturais e intuitivos que nossos ancestrais empregavam para obter os produtos de que precisavam. Como já falei aqui antes, vivemos na era do pegue-e-pague. Compramos tudo.

O projeto AVE LÃ! surgiu para reverter isso: Nós do núcleo de artesanato da ACAJAL pretendemos pesquisar e registrar os vestígios que ainda restam dessa atividade. E reativá-la! Estamos conversando com pessoas, fotografando, indo atrás. E as histórias vão surgindo.

Ontem uma aluna minha de patchwork veio para a aula aqui no ateliê, mas quem aprendeu algo fui eu: ela trouxe as cardas que eram da mãe e mostrou que, quando menina, observava muito bem os "grandes" enquanto processavam a lã:


D. Jesusa é de Borda da Mata, a 15 minutos daqui, e seus olhinhos brilharam enquanto demonstrava o trabalho que a mãe fazia. Infelizmente ela não sabe dizer o que foi feito da roca da família, e isso é um fato comum. O antigo não é preservado - é substituído pelo novo, e ponto final.

Já questionei muito o motivo da não preservação dessas relíquias... e recentemente encontrei uma resposta muito convincente no livro Design + Artesanato - O Caminho Brasileiro, de Adélia Borges. Em um capítulo entitulado "Histórico de um Isolamento", a autora expõe o resultado de suas pesquisas sobre esse tema, e comenta que em muitos países o design evoluiu a partir da tradição artesanal. No Brasil, ao contrário, esse processo significou a ruptura com o "saber ancestral": a herança dos tempos anteriores à chegada dos portugueses e oriunda de tantos fluxos migratórios foi simplesmente desconsiderada e desvalorizada.  Por que? Diz ela (grifos meus):

"O desejo deliberado de abolir o objeto feito à mão em prol do feito à máquina obedeceu  à visão de que a tradição da manualidade era parte do passado de atraso, subdesenvolvimento e pobreza, que o futuro promissor proporcionado pelas máquinas faria superar. Em nome do progresso e da desejada inserção do Brasil no concerto das nações desenvolvidas, melhor seria sepultar essas práticas empíricas e substituí-las pelo Novo, com N maiúsculo, redenção que seria trazida por um futuro pautado pelos princípios puramente racionais - a Ciência, a Técnica, a Metodologia."

Ui. Isso é muito triste. Felizmente, ainda segundo o livro da Adélia, há muitos projetos bacanas conduzidos por instituições e indivíduos que visam reverter esse pensamento. O AVE LÃ! não está no livro, mas tem a pretensão de ser um deles.

"AVE" é uma saudação, uma reverência. Nesse caso, reverência e respeito a uma matéria-prima que podemos voltar a ter aqui na região, e que é perfeitamente sustentável.

O Clube do Retalho de Pouso Alegre, outra subdivisão do Núcleo de Artesanato da ACAJAL, está organizando para o final de outubro a 4ª Mostra de Patchwork de Pouso Alegre. A exposição permanecerá aberta ao público durante 12 dias, e nesse período vamos apresentar o projeto AVE LÃ. Aguardem mais informações. 

Enquanto isso, vamos à caça de outras histórias. Obrigada, Jesusa, por compartilhar a sua conosco!

Até breve!

P.S.: Todo mundo, todo mundo mesmo, que lida com artesanato e trabalhos manuais devia ler o livro da Adélia. Imperdível. Agradeço ao artista plástico Domingos Tótora (sobre quem escrevi aqui) pela dica de leitura.

domingo, 19 de agosto de 2012

Notícias do Departamento de Testes

Esse departamento tem estado quietinho, né? É que o "funcionário" em questão também atua em outros departamentos (cuidado com as crianças e a casa, aulas de patchwork, etc!) e a verba anda curta. Mesmo assim, a gente se esforça para estar por dentro das novidades...

Finalmente consegui escolher um modelo para testar o fio da Fazenda Caixa D'Água que mostrei aqui.

Na verdade eu já havia tricotado um cachecol tipo Baktus (é como um xale triangular, porém mais magrinho e comprido); mas não ficou legal para mim: o fio é bem volumoso, e eu sou baixinha e volumosa, também! Então ficou aquele negócio exagerado enrolado em meu pescoço. Nada a ver! Desmanchei tudo e tricotei então esta golinha:


Bingo! A receita ("Shawl-Collared Cowl", de Alana Dakos) pedia um fio grosso tricotado com agulhas menores, pois a gola não pode ser molenga. A combinação foi perfeita. E o bacana é que o fio passou no teste do "tricota-e-desmancha": fiz várias experiências com agulhas e receitas, e mesmo assim ele se comportou muito bem! E utilizei só metade da meada de 380 metros.

Outro fio que testei recentemente foi o Camelino da Knit One Crochet Too, importado. Ele tem esse nome porque é 90% merino e 10%... camelo! Pois é. Os camelos têm um pêlo meio grosseiro, mas embaixo do tal pêlo há uma outra pelagem suave e fininha chamada "down". A lã cashmere, a mais cara do mundo, é o "down" de um certo tipo de cabra.

Os animais não são tosquiados para a remoção do "down": a pelagem principal é levantada e o down é escovado. Isso gera uma pequena quantidade de fibra - e por isso elas são tão caras. Normalmente não são fabricados fios 100% down: usa-se porcentagens pequenas junto com a lã tradicional para dar mais leveza ao fio.

Euzinha andava curiosa e, aproveitando uma oferta boa no eBay, comprei dois novelos. Eu estava meio incrédula: 10% de down de camelo? Isso faria diferença? 

Fez, sim, e como fez! Acho que nunca tricotei com um fio tão fofinho, tão leve! Quando a gente mergulha na coisa de cabeça acaba curtindo não só o processo de formar os pontos, mas também a sensação de sentir as fibras entre os dedos, sentir o fio deslizando nas agulhas... tricotar as últimas carreiras foi igual a comer a última bolacha do pacote.

Depois fiquei sabendo que o Camelino está sendo descontinuado - por isso o precinho bacana no eBay. Mas há muitos outros similares no mercado para me tentar.

E a peça que tricotei foi este cachecol rendado:



Ficou liiiiindo, e deliciooooooso... o frio aqui já diminuiu bastante - de dia faz até um calorzinho. Mas de noite ainda dá para dar uma desfilada com um modelo assim de ponto mais aberto.

E, agora que o fio diminuiu e já dá para assistir a um filme sem estar debaixo de uma montanha de cobertas, eu voltei a fiar. No momento estou experimentando uma fibra que chegou via correio esses dias:



Comprado no eBay também - 50% merino, 50% tencel (para dar caimento). O nome da cor é "hibiscus". Ai, meu Deus, ela é tão linda! Que responsabilidade! Não posso estragar esse negócio.

Quando pesquiso fibras no eBay nunca deixo de me espantar com a quantidade e variedade de ofertas. Este link - fiz a busca e o site mostrou mais de 600 resultados! - dá uma boa idéia da situação, e prova que lá por fora a fiação artesanal anda de vento em popa:


Mas aqui no Brasil nós vamos chegar lá. E por isso eu e o pessoal da ACAJAL resolvemos apresentar ao público nosso projeto de resgate da utilização da lã de carneiro ainda este ano. Vai ser durante a 4ª Mostra de Patchwork de Pouso Alegre, em outubro. Mas vou falar sobre isso em outra postagem.

Abraços e um bom domingo!

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Carona Rapidinha!

Não gosto de "pegar carona" em outros blogs, mas estou abrindo uma exceção: as meninas do blog "Tricoteiras" postaram um artigo bacana sobre a lã natural, que vale a pena ser repassado. Aqui vai ele:


Que bom saber que a mentalidade está mudando e as fibras naturais estão começando a ter o devido valor e respeito.

Fabricantes, H-E-L-L-O: acordem, vocês precisam acompanhar essa tendência!

Como o artigo se chama "Manifesto da Lã", eu assino embaixo!


Inté!

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Das voltas que o mundo dá

Hoje é o primeiro dia do início de uma nova fase em minha vida - daí o título. Mas esta postagem também poderia se chamar "As voltas que os meus móveis dão". Percebi isso hoje quando quis fotografar algo para mostrar aqui: fui direto para a varanda dos fundos, onde há um banco de madeira... oops! Havia...

O banco veio parar no ateliê. Eu costumava fotografar meus tricôs e etc nele, pois onde ele ficava a luz é boa e as fotos saíam bacanas. Aqui no blog há muitas fotos em que o meu banco aparece. Mas, como tudo na vida é mutável, andei fazendo a dança das cadeiras aqui em casa, e não foi só com as cadeiras: esvaziei parte da sala de TV, e pus lá os móveis da sala principal que ainda estavam em meu ateliê (sim, meu ateliê ocupa a sala principal); o dito ateliê ficou mais amplo, com mais opções de arrumação...exceto por uma área que, na minha opinião, ficou vazia demais. Pensa daqui e dali, chamo minha filha atrás de casa e decido: "me ajuda a carregar esse banco lá para o ateliê!" E aí, banco desbotado + quilt colorido + almofada + tapete da Borda da Mata + baú & livros...surgiu esse cantinho:

Para complementar, minha roca - a estrela! E agora é começar a encerar o banco regularmente para ele ficar menos desbotadinho e ninguém perceber que ele passou anos em uma área externa. Assim surgiu um cantinho onde minhas alunas podem sentar, tomar um chá e folhear um livro. Nesse espaço costumavam ficar as máquinas de costura, que foram parar em outra parede bem mais simpática:

E por falar em livros... eu também precisava de um lugar para a coleção de livros do ateliê. Há tempos eu havia convertido um barzinho em bufê de chá, e esses dias tive um "plim" (= efeito de lâmpada acendendo): virei os fundos do barzinho para a frente e arrumei nele os livros:

O pufe que aparece na foto é velhíssimo, mas ganhou vida nova com a capa de patchwork. Não vou mostrar foto do "antes": ele era muito feio mesmo, acreditem!

Com mais espaço no ateliê aproveitei e ampliei o "departamento de matrículas e design": arrastei para cá uma escrivaninha bem sambada que estava sem uso em casa:

Ela também é bem feiosa... mas vou fazer uma graça nela - me aguardem! (Fazer graça = improvisar com com lixa, cola, tinta e tecidos!)

Outra coisinha em meu ateliê que anda precisando de uma renovada é uma cômoda antiga que comprei em um brechó e que abriga minha coleção de tecidos:

Ela é linda, linda... mas tá caída. É fato. As gavetas precisam de conserto e no tampo há umas manchas estranhas, mais claras, em forma de espiral. Mistério... Mas um dia a ficha caiu: são marcas de antigos repelentes para mosquitos - aqueles que a gente acendia e soltavam uma fumacinha... não vejo aquilo há uns trinta anos ou mais! Caramba, me entreguei agora... melhor mudar de assunto. Falei nisso para vocês imaginarem a idade da cômoda, mas assim vão começar a imaginar a minha idade também!

Em tempo: a máquina em cima da cômoda era de minha avó - a fofíssima e cheirosa Vovó Cotinha. Ela se foi há dezesseis anos, mas é assim que lembramos dela. Em sua homenagem, acabo de batizar o ateliê de "Baú da Cotinha":


Para o meu pai, que faleceu há dois anos, não ficar com ciúme da vovó eu decidi homenageá-lo também, e estou usando o "Rotta" - meu sobrenome de solteira e do qual ele se orgulhava bastante. Uma amiga astróloga disse que "Jane Rotta" tem nove caracteres, e que segundo a numerologia esse é um número ótimo. Não é, Elane?

Depois que a gente começa não pára mais... Antes de eu trazer a escrivaninha para o ateliê eu guardava papelada em um velho criado-mudo - que ficou sobrando e, por acaso, tinha um irmão gêmeo dando sopa em outra parte da casa. Munida de régua, lápis, serrote e cola de madeira, transformei os dois criados-mudos em uma mini cômoda de cinco gavetas:

Agora ela também precisa de uma graça, é claro. Mas essa não vai ficar no ateliê - foi designada para outro cômodo da casa.

Essa reviravolta toda tem como inspiração o Pinterest, um site viciante com imagens sobre várias áreas de interesse - inclusive decoração e um departamento que adoro: o DIY, ou Do It Yourself - "Faça Você Mesmo". Sinceramente, acho bem mais divertido - e sustentável -  reaproveitar do que comprar móveis novos. Tenho pensado muito na arquiteta que acompanhou a construção de minha casa: na época elaboramos a planta de acordo com os móveis que eu tinha e como pretendia distribuí-los. Em uma ocasião ela me disse: "e quando você for trocar os móveis?" Respondi: "quem disse que pretendo trocar meus móveis?". Bem, não troquei nenhum até hoje, mas com certeza alguns mudaram de lugar e/ou função - como o barzinho que hoje é bufê de chá + estante de livros! Mas isso foi há quase dez anos e na época eu nem sonhava que a sala principal da casa ia virar meu ateliê. Nem sonhava que eu ia trabalhar nessa área!

Agora que já fugi bastante do tópico deste blog acho que deu para entender por quê há mais de uma semana não posto nada sobre fibras e fiação, certo? Não tenho tido tempo de fiar! Mas, se vocês repararem, lá em cima na logo do blog há uma foto de uma pilha de tecidos. Eu pretendo falar de patchwork e do algodão também - apenas deixei que o interesse pela lã e pela fiação dominasse por um tempo. E isso me leva ao início desta postagem: comecei falando que fui atrás de casa fotografar algo sobre o banco que não estava mais lá, não foi? O "algo" era isso aqui:
Cortei ontem à noite: são 224 quadrados de 6 polegadas - metade em tecidos florais miúdos, metade em creminhos e branquinhos neutros - o que chamamos de "coringas". São para uma colcha que estou começando. Algum tempo atrás eu critiquei aqui no blog (nessa postagem) o esquema que impera hoje em dia no mundo do patchwork, em que designers lançam coleções lindíssimas e carésimas de tecidos coordenados - e roubam de nós a oportunidade de criar mesmo, fazer combinações próprias, inusitadas, únicas. Fica tudo pausterizado. Como mostrei acima, tenho uma cômoda cheia de tecidos e decidi fazer uma nova colcha sem comprar nada. Separei 28 sobrinhas de florais e cortei quatro quadrados de cada: total = 112, o número que eu precisava. Enfim, estou tentando criar algo único. Espero mostrar o resultado daqui a alguns dias. Por incrível que pareça, o painel com espirais que aparece em uma das fotos acima, na parede de tijolinhos, também foi feito com retalhos: eu queria usar cores outonais; separei o que tinha e usei vários marrons, vários mostardas, vários olivas, vários ferrugens... fiz com o que tinha. A idéia é essa: juntar o que se tem para criar um todo. Infelizmente, hoje vendem a idéia de que é preciso comprar novo, picotar e costurar de novo. Isso pode ser necessário quando se está aprendendo e ainda não se tem sobrinhas; mas aqui no ateliê eu me preocupo em ensinar as alunas a criar e calcular os próprios projetos e misturar muitos tecidinhos. Patchwork não tem de ser feito com tecido arrasadoramente lindo. A gente pode pegar tecidos simples e criar um design arrasadoramente lindo. Isso sim é divertido.

E ontem, enquanto cortava, pensei: e esse algodão todo? De onde vem? Como é produzido, e por quem? Há uma demanda enorme por tecidos de patchwork, mas a gente consome e não sabe a origem. Decidi pesquisar a respeito - esse é um blog sobre fibras, não é? Mas ainda estou pesquisando e esse assunto vai ficar para uma outra postagem.

Para finalizar, fica o conselho: olhe para seus móveis com outros olhos. E compre um serrote.

Abraços e até a próxima!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Novos Fios na Área

Em postagens bem recentes eu mostrei esses dois lançamentos nacionais 100% lã de carneiro. Eu os descobri pela internet, e a curiosidade de experimentar foi grande. Encomendei, e eles chegaram ontem.


O novelo em tons de roxo à esquerda é o Confor da Pura Fibra, que eu havia mostrado aqui. A cor é mais bonita pessoalmente do que na foto, e o toque da lã é bem agradável. O fio também se comportou bem nesta amostrinha:


Por "bom comportamento" eu quero dizer boa elasticidade e boa definição dos pontos. O que não passou muito em meu teste foi o colorido: esse é um fio tipo self-striping - ou "que cria listras sozinho". Não sou muito de fios matizados, ou pelo menos prefiro que o matizado seja mais sutil - com uma variação de cor mais freqüente, com menos contraste e que não chegue a formar listras. Mas gostos variam, né? O mundo seria muito chato se todo mundo tivesse gosto igual. Na verdade, não é que eu não goste dos coloridões: é que normalmente eles brigam com o tricô - se for utilizado um ponto muito elaborado fica uma confusão visual só. Como ando em uma fase de experimentar muitas técnicas e pontos novos, prefiro um fio de colorido mais discreto.

Deixando a cor de lado, a qualidade da lã superou minha expectativa. Eu não estava lá muito otimista porque o produto é descrito apenas como 100% lã, sem especificar que tipo de lã. E existem centenas. A pesquisadora Clara Parkes faz uma colocação interessante em seu livro The Knitter's Book of Wool: ela explica que cada tipo de lã é mais indicada para um propósito ou outro, e não existe "lã boa" ou "lã ruim"; existe lã imprópria para determinado fim. No entanto, os fabricantes no mundo todo sempre descreveram seus produtos simplesmente como "lã". A autora vai adiante comparando essa situação com a fabricação do vinho: há diversos tipos de uvas, e os bons vinhos são indentificados como Cabernet, Chardonay, Merlot, etc. Como fabricar um produto, engarrafar e escrever no rótulo "100% uva"? Felizmente, segundo ela, isso está mudando, e os bons fabricantes já identificam seus fios de acordo com a raça do carneiro: Merino, Shetland, Targhee, etc. Por isso fiquei agradavelmente surpresa com o fio "100% lã" da Pura Fibra: seja lá qual for a raça, o toque é gostoso e eu tranqüilamente faria um cachecol para enrolar no pescoço.

A Pura Fibra também marcou pontos no atendimento ao cliente: enviei um e-mail para eles elogiando a iniciativa e, muito rapidinho, recebi resposta super gentil, agradecendo o contato e o incentivo, e dizendo que a opinião do consumidor é importante. Achei bacana porque já enviei e-mails com comentários e sugestões a outros fabricantes, e nunca recebi resposta.

O único porém é: a embalagem informa que o fio é fabricado na Turquia. No eBay existem milhares de ofertas de tipos variados de fios de um fabricante na Turquia. Eu mesma já comprei desses fios em algumas ocasições, e são bons. Mas são muito, muito baratos: tipo um lote com 8 novelos, totalizando 1200 metros, por 12 dólares. Por que o preço tão baixo? Dá para desconfiar, né? O preço do novelo do Confor está racional, então espero que sua procedência seja justa. 

O outro lançamento, que eu havia comentado nessa postagem, é o Da Fazenda, fabricado pela Fazenda Caixa D'Água. Esse meadão que, depois de desenroscado, ficou enooooorme:


100% merino de carneirinhos brasileiríssimos. Fiação artesanal. Tingimento natural. Segundo o fabricante, essa cor que comprei (116) é tingida com carqueja. 

Este fio é um single - ou seja, a torção só foi aplicada uma vez: não houve segunda torção de vários fios juntos. O processo de fiação me parece ser o woolen, que deixa a lã mais fofinha e aerada. (Já expliquei sobre fios single ou plyed aqui, e falei sobre o processo woolen de fiação aqui). Eu a-m-o os singles. O problema deles é que ainda não sei fiá-los com destreza. É preciso ter consistência, uniformidade quase total na espessura, e eu ainda cometo deslizes. O processo de plying retorce dois ou mais singles juntos, minimizando as discrepâncias, morou? Mas um single assim lindão, fiado por quem tem experiência, é show!

A qualidade da lã está acima de qualquer suspeita - é só pôr a mão; comparável a fios semelhantes que comprei lá de fora - como o Malabrigo e o Madelinetosh. Só acho que eles erraram um pouco na classificação da espessura: a descrição é Worsted, mas achei que ele está mais de Aran para Bulky*. Eu tricoto folgado e normalmente uso agulhas de 4 mm para fios worsted. Fiz uma amostra com agulhas de 6 mm, na boa:


A cor é mais verdinha do que parece na foto, e tem umas variações sutis, típicas do tingimento artesanal, que eu adoro. Difícil agora é decidir o que fazer com essa maravilha!

*Explicando as classificações: segundo a tabelinha do Craft Yarn Council (um órgão que regulamenta e classifica os fios para artesanato nos EUA)  avalia-se a espessura de um fio em Wraps Per Inch (WPI) - ou "voltas por polegada": é só enrolar o fio em uma régua e ver quantas voltas são necessárias para preencher uma polegada (= 2,54 cm). As classificações por espessura vão de 1 a 6, sendo 4 a espessura média - ou worsted: 12 WPI; o fio Da Fazenda mediu 10 voltas por polegada, caindo no limite entre as categorias Aran e Bulky. 

Uma ressalva sobre este fio: ele já vem tratado para não encolher nas lavagens; isso normalmente indica que o fio não se presta a trabalhos feltrados. Mas eu ainda não falei sobre feltragem - breve vou explicar melhor!

Até a próxima!

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Fibras Made in Brazil

Demora, mas acontece: há empresas bacanas produzindo fios 100% naturais no Brasil - em pequena quantidade e preços ainda um pouco altos, mas isso deve melhorar se houver demanda. Já falei sobre a La Rocca aqui. E hoje quero mostrar um pouco o trabalho de outro pessoal.

A Fazenda Caixa d'Água fica em Dilermano de Aguiar, RS, e lá são criadas as raças Merino e Texel; há tempos eles oferecem em sua loja virtual fibra natural para fiar ou fazer feltragem, e fios artesanais naturalmente coloridos ou tingidos através de processos vegetais. Os fios costumavam ser do tipo bulky - para agulhas nº 9 a 12! Agora eles estão lançando também um fio mais fino, para agulhas de tricô nº 4 a 6. Tem à venda também no Bazar Horizonte e as cores - naturais! - são lindas. Estas são apenas algumas:


Cada novelo tem 200 gramas ou 380 metros. Dá para um belo xale ou um bolero. No Bazar Horizonte está custando 49 reais.

É, eu sei: é caro. Mas aí a gente precisa comparar um pouco: há fios moderninhos, daqueles divertidos, que custam um terço desse preço; mas cada novelo só tem 100 metros - ou menos. Alguns farão uma comparação diferente: dirão que há fios tradicionais no mercado,100% acrílico, que custam 8 reais o novelo. São fios que estão no mercado há anos. Aí eu pergunto o que é melhor: ter cinco suéters que saíram baratíssimo, mas são 100% sintéticos e contribuíram para prejudicar o meio-ambiente; ou ter um suéter arrasador, exclusivo, com toque extra-macio, totalmente natural, que custou um pouco mais caro?

É um caso a se pensar. E daqui para a frente teremos cada vez mais que fazer escolhas como essa. Hoje mesmo comi minha saladinha orgânica de baby alfaces, da Jatobá; custa perto de 7 reais - contra 2 reais de um pé de alface comum. Mas ainda está difícil optar sempre pelo mais natural - por causa do alto preço.  No entanto, esses preços só vão baixar quando houver uma demanda adequada, que valorize o produtor dedicado a fornecer um artigo orgânico e praticar o comércio justo. Para isso, vamos ter de aprender a consumir menos, mas consumir do melhor. Melhor para a gente e para o planeta todo.

Hoje cedo assisti a um filminho muito bacana postado no facebook por uma amiga - mostra bem tudo isso:


Boa semana a todos!

quinta-feira, 1 de março de 2012

Simplicidade que resolve!

Dias atrás eu escrevi aqui sobre resourcefulness. Hoje recebi este vídeo de um amigo, o professor Antonio Martini, de Itapema, SC. Tá tudo lá:

Projeto voluntário + material facilmente coletado + solução para o ser humano + um alívio para o meio ambiente = resourcefulness.


Exemplo bacana para todos nós!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Paroles, paroles...

...adoro palavras! São nossas melhoras amigas – mesmo quando nos dão “olé”: às vezes não achamos as palavras exatas de que precisamos. Outras vezes vem à mente aquela palavrinha perfeita, que resume todas as nossas idéias. Hoje quis escrever sobre duas palavras: a primeira, pasteurização, foi usada pela Cláudia Lamarão em um comentário aqui do blog. A outra, resourcefulness, era muito usada pela Elizabeth Zimmermann*. Enquanto escrevo sobre a primeira vou ver se me vem à mente uma tradução apropriada para a segunda.

Pasteurização é, por exemplo, o que fazem com o leite que bebemos: no passado às pessoas bebiam leite direto da vaca e ponto final. Depois, constatou-se que não era saudável, e hoje o leite passa por um processo que lhe confere durabilidade e higiene... e lhe tira grande parte da graça! Minha cunhada Mariinha, aqui de Minas, tem sítio e ainda sabe o que é leite de verdade: aquele que, quando se ferve, a nata bóia. E ela junta a nata para fazer bolo.

A Cláudia Lamarão comentou minha postagem da semana passada (aquela em que mostrei o novo e “revolucionário” fio que dispensa a habilidade de fazer tricô) e foi muito feliz ao usar a palavra pasteurização para descrever o que anda acontecendo em nosso mundo: “O prazer foi devidamente pasteurizado e embalado para o consumo rápido e fácil (...)”.  E isso vem acontecendo em todos os departamentos.

Vejamos, por exemplo, o patchwork; apesar de haver indícios de que na antigüidade já se juntava pedacinho com pedacinho por necessidade, a origem mais certeira do que conhecemos hoje foi em Durham County, uma região na Inglaterra onde se faziam muitos acolchoados. Juntavam-se dois tecidos com algo fofinho no meio, acolchoava-se, e lá estava uma peça utilitária (e bonita, pois o quilt à mão era maravilhoso!). Às vezes, quando o bicho pegava, por necessidade usavam-se peças emendadas no lugar de um tecido inteiro. E ia-se levando a vida. Quando houve a migração para o que viria a ser os Estados Unidos, no iniciozinho da colonização, muitas dessas pessoas foram para lá. A vida na colônia era dura e os tecidos não davam sopa. As famílias não tinham permissão para ter um tear em casa: o Império Britânico, gente boa como ele só, impunha que os colonos comprassem deles o que precisavam. E aí, qualquer pedacinho passou a valer ouro. Surgiu o costume regular de juntar esses pedacinhos. A princípio, de forma puramente utilitária. Mas, como mulher ninguém segura , o utilitário foi ficando bonito, também: as colonas passaram a planejar, elaborar, criar, usar princípios geométricos que sequer conheciam... e nasceu o patchwork como conhecemos hoje.**

Whole Cloth ("tecido inteiro") quilt feito à mão na região de Durhan County.

Em tempos difíceis o whole cloth dava lugar ao aproveitamento de pedaços.

Exemplos dos quilts mais antigos, feitos nas colônias: da desorganização completa do "crazy" à introdução das pecinhas geométricas.


De lá para cá, houve inúmeras fases em que as quilteiras – mulheres que fazem acolchoados de patchwork – precisaram tirar leite de pedra: durante a guerra civil, por exemplo, cortaram as roupas; e durante a recessão dos anos 30, utilizaram sacas de arroz, açúcar e farinha (eram de um algodão ralinho na época, mas com estampa!). Ambos os casos originaram estilos próprios que são usados até hoje: qualquer loja de tecidos para patchwork nos EUA tem sempre coleções recém-lançadas de tecidos designados como Civil War (“Guerra Civil”) e Thirties (“Anos Trinta”).

1. Quilt feito em cores e estampas típicas da época da Guerra Civil;
2. Estampas típicas dos anos trinta, época da grande depressão;
3. Anúncio da época: Feedsacks eram as sacas de alimentos em grãos utilizadas na época; o subtexto diz "Moda dos Tempos Difíceis".


Como assim, coleção?

É aí que eu queria chegar. Hoje, tempos mais amenos, o patchwork está badaladíssimo e lá fora os designers lançam coleções temáticas regularmente. Muito bacana: são várias estampas coordenadas, dentro de um esquema de cores lindão, tudo combinadinho; de qualquer jeito que você juntar, vai ficar bonito. E as lojas vão mais longe: além de vender os tecidos, vendem também kits para a confecção de uma peça que alguém já desenhou.  Você escolhe a peça e compra o kit com os tecidos já selecionados, as quantidades já planejadas, as medidas vêem de bandeja... Tudo por um preço que causaria indignação às colonas que inventaram a coisa e sabem que para fazer patchwork não se devia gastar uma fortuna. A idéia, ao contrário, é a economia. Ah, mas os kits são práticos... Não precisa escolher, criar, calcular, planejar... só faltam vir com certificado de garantia. Oops: olha a pasteurização aí, gente...!

Kit à venda na loja "Fat Quarter Shop"; reparem no precinho: 199 dólares, que não incluem o recheio e o tecido do forro!


E isso me leva à segunda palavra:  resourcefulness. Vou tentar “quebrá-la” para explicar.

Resource quer dizer “recurso”. Resourceful é a pessoa que sabe se virar, catar o que tem em volta e transformar no que precisa – enfim, a pessoa que sabe providenciar os próprios recursos. Resourcefulness, intraduzível para o português, é essa qualidade que todos deveríamos ter. Deveríamos, não: nós temos. Só estamos desaprendendo a usar.  A deixar aflorar. As oportunidades são tiradas de nós pela pasteurização.

Resourcefulness é o que praticavam as colonas americanas quando criavam seu patchwork. Resourcefulness é olhar um limão e saber que algo feito com ele não tem de ser, necessariamente, azedo. A limonada que o diga.

Em nosso mundo craft – o pequeno grande mundo das pessoas como nós, que gostam de fazer coisas com as mãos – é muito importante entender bem esses conceitos de pasteurização e resourcefulness. A primeira é uma ameaça ao livre uso da criatividade que todo ser humano possui, sim. A segunda já nasceu conosco, e não podemos deixar que morra por causa do comodismo de nossos tempos. Nem sabemos até quando ele vai durar.

*Elizabeth Zimmermann é uma escritora, tricoteira e designer inglesa. Virou esse universo do avesso , revolucionou de verdade. Merece uma postagem só dela, que você encontra aqui.

**Fonte: The Ultimate Quilting Book, Maggie McCormick Gordon, Collins & Brown, 2000.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Revolução... Jura?!

Recebi por e-mail a newsletter do armarinho Aslan, anunciando um lançamento revolucionário:

http://www.aslantrends.com.br/colecao_trenza.asp

É o "fio" Trenza Collection que, vejam vocês, apresenta as seguintes "vantagens" (copiei o texto abaixo do site; clique para visualizar em tamanho maior; os sublinhados são meus):


Segundo essa linha de pensamento:

- aprender a fazer tricô é perda de tempo;
- aprender pontos bonitos e elaborados é bobagem;
- trapacear é legal;
- nossas avós eram umas tolas;
- bacana é o consumismo e o imediatismo de nossos tempos: consiga o que você quer (no caso, uma peça elaborada) agora, sem esforço ou perda de tempo;
- ofereça às crianças a ilusão de que estão fazendo um trabalho manual; ensine a elas, desde pequenas, a lei do menor esforço.

Fico imaginando: o que sou eu, que não só "perco meu tempo" tricotando como também fiando minha própria lã? Que grande tola...!

Fico pensando também no que a escritora Virginia Woolf, que amava tricotar, acharia. Em sua biografia consta que em 1912, após sair de uma clínica de repouso, ela disse ao marido: "Tricotar é a salvação da vida"*. Também em 1912 sua irmã Vanessa Bell pintou este retrato, que hoje está na National Gallery de Londres:


Cem anos depois, em 2012, a Aslan Trends lança este produto, sem levar em consideração que para quem ama os trabalhos manuais, o meio é tão precioso quanto o fim.

Sem mais comentários.

Bom carnaval e bom fim semana!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Ano novo?

Bom dia!

São sete e meia da manhã e parece que hoje será um dia mais fresco (ou menos quente) por aqui. A semana foi de torrar, e acho que isso não é novidade - pelo jeito foi no país inteiro! Com isso, dei uma folga para as lãs, alpacas e afins: não tricotei nem fiei nada. Mas ontem, já com saudade das agulhas, comecei a fazer um tapetinho de crochê para a cozinha - com fio de algodão! Lã, nesse calor, não dá. Há muito tempo eu não fazia crochê - talvez uns cinco anos... depois eu mostro no que deu.

O primeiro mês do ano já era e nessa época os fabricantes começam a lançar novos fios para o inverno. Eu sempre fico animadinha à espera das novidades, pois a esperança é a última que morre... mas morre. O Bazar Horizonte (site bem legal de comprinhas craft) já tem uma página de fios 2012 e a julgar por esses primeiros lançamentos creio que esse será mais um ano de sintéticos e pompons. De todos as novidades da página só esse aqui tem uma porcentagem de lã de verdade - 35%:

Mas esse é um fio tipo novelty; parece que a tradução é "novidade", mas não é: em inglês, fios novelty são aqueles bem "afrescalhados" - com pompons, pestanas, bolotas, penachos, etc. Ou seja, beeeeeeeeem longe dos clássicos, apropriados para um tricô bonito, bem trabalhado, com pontos que sobressaem.

O curioso é que no ano passado eu fiquei de olho nas vendas dos sites e percebi que os fios que esgotaram primeiro foram os clássicos. Será que os fabricantes não percebem que a gente quer fazer tricô (ou crochê) de verdade? A gente pode até ficar tentado a comprar um desses fios doidões e fazer um cachecol surreal, todo em ponto básico grandão, feito com agulhas enormes; mas quem gosta de tricotar ou crochetar mesmo sente falta de experimentar pontos novos, fazer peças elegantes... e aí tem de ser o fio clássico. Ainda dá para comprovar isso; - é só olhar as páginas de saldão das lojas online: quase tudo novelty.

Resta esperar os lançamentos das outras marcas. A Cisne vem, nos últimos dois ou três anos, lançando fios com porcentagens maiores de fibra natural. Estou apostando neles. Vamos ficar de olho! De tanto sonhar, quem sabe um dia a gente tem acesso a coisas assim:


Lindos, 100% naturais - mistura das raças Targhee e Columbia.

E vocês viram que cores? Ai, meus sais!