Como tenho postado links de compra de livros que citei aqui, fizeram-me muitas perguntas sobre as lojas on-line, preço, frete, qualidade, etc. Vou tentar responder tudo nesta postagem.
Sempre que menciono um livro eu insiro um link para o título no site da Amazon ou da Better World Books. A Amazon é uma loja gigante que vende livros e tudo o mais, mas eu não compro deles: acho o frete caro e a entrega, demorada. Mas o site é ótimo para pesquisar os títulos, e tem uma função chamada look inside - ou "olhe dentro": dependendo da permissão da editora, é possível "folhear" parte dos livros à venda. Isso nem sempre ajuda - algumas editoras só liberam contra-capas, índices e pouquíssimas fotos; mas em alguns casos dá para olhar bem e ter uma noção legal sobre o livro - se vale à pena comprar ou não. Eu particularmente desconfio quando a editora mostra pouco: quando o livro é bom eles sabem que mostrando isso as pessoas comprarão.
Outra função interessante da Amazon é a avaliação do leitor - as cinco estrelinhas; eu procuro ir atrás dos livros que foram avaliados por muitos leitores - e avaliações positivas, naturalmente.
Maaaaaas.... na de comprar eu prefiro a Better World Books (e quando um livro não oferece a função "look inside" no site da Amazon, eu posto o link para a BWB). Conheci essa loja há uns 5 anos e virei freguesa assídua porque:
- a loja é beneficente: trata-se de uma empresa sem fins lucrativos; eles financiam projetos de alfabetização e valorização da literatura no mundo todo - inclusive um em Maceió;
- A BWB é uma "B-Corporation": empresa certificada, comprometida com a sustentabilidade, a responsabilidade social e o consumo racional;
- o pessoal lá trabalha de bom humor: sabe aquelas mensagens de confirmação de compra, liberação do pedido, etc., que a gente recebe quando faz compras on-line? Os caras lá são criativos e as mensagens que eles escrevem são hilárias - cumprem a função administrativa com muita originalidade. E não é legal lidar com gente bem humorada? Enfim, o serviço é ótimo e eles fazem de tudo para a gente ficar satisfeito.
Recentemente a BWB também conseguiu uma parceria com o serviço de postagem e o frete é grátis. Para o mundo todo. Eles vendem principalmente livros usados; eu compro sempre e o estado de conservação é sempre legal - dá para confiar! Os preços são excelentes (já peguei uma promoção e comprei oito livros usados por 32 dólares!) e os pacotes normalmente chegam em três semanas. Raras vezes tive pacotes extraviados; nesses casos, uma palavra e eles enviam novamente sem qualquer custo. Certa vez comprei um livro usado mas a folha de moldes não veio; reclamei, e eles me enviaram uma cópia novinha do livro, sem cobrar nada!
E aqui no Brasil? Aqui eu compro livros da Livraria Cultura: é a única loja que mantém um estoque maior de livros de artesanato importados para entrega imediata (e o que não está no estoque eles mandam vir, mas aí demora cerca de 6 a 8 semanas). Os preços são super justos: um livro importado que custa 120 reais em uma loja especializada em patchwork custa 45, 50, 60 reais na Cultura.
Mas vale lembrar que esses livros são todos em inglês, certo? Infelizmente, quase não temos livros da área de trabalhos manuais em português; as editoras estão começando a se interessar pelos livros de tricô e de patchwork - temos uns três ou quatro bons lançamentos recentes. Mas para ter acesso às novidades mesmo, só trazendo de fora.
Está nos planos do blog postar aqui resenhas de livros, mas por hoje é só!
Abçs!
Fibras. Algodão, lã, linho. Bordar, entrelaçar, costurar, fiar, tricotar... vestir. Quem repara nas fibras? Elas estão presentes o tempo todo em nossas vidas, tocando-nos, aquecendo-nos... e nem prestamos atenção a elas. Neste blog vou falar sobre as fibras com as quais trabalho e o prazer diário que elas me proporcionam!
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Por amor à arte (ou "Perdendo o medo de aranhas")
Título longo, né? É que as emoções são muitas... afinal, não é toda sexta-feira que eu acordo cedinho e vou à roça buscar um velo de carneiro.
Eu tinha dito que ia fotografar a tosquia, mas ela ainda vai ser agendada; fui hoje buscar um velo que o Seu Arlindo, administrador da propriedade, já tinha guardado há algum tempo. "Guardado". Esclarecendo: estava dentro de um galão sem tampa, debaixo de um telheiro com muitas teias suspeitas; ele ia incinerar a lã, como de costume, porque não tem o que fazer com ela, mas a partir de agora vai guardar para mim. E aí, diante de meus olhos arregalados, Seu Arlindo foi enfiando a mão no galão e puxando láaaaa de dentro os punhados de lã bruta. Diálogo:
Eu: Tem bicho aí não, Seu Arlindo?
Ele: Bicho? (morando lá, esse termo para ele deve ser bem vago, a abrangência é grande...)
Eu: Carrapato, aranha...
Ele: Normalmente não... ( e começou a sacudir bem a lã para me convencer, como se isso fosse possível)
Eu: É que tem tanta teia aqui, né?
Ele: Teia de aranha?
Eu: É, aranha.
Ele: (me tranqüilizando) Aranha faz parte, né?
Eu: (...) (tentando não desmaiar)
Bem, aparentemente não havia bichos. Pelo menos não aracnídeos, o que já é um consolo.
Além do pacotão que perfumou meu carro, cheguei em casa munida também de uma bacia grandona, um par de rasqueadeiras (oficialmente servem para pentear cachorros, mas me informaram que funcionam como cardadeiras de pentear lã), um par de luvas e um vidro de sabão líquido suave (apesar de ser grande a tentação de usar água sanitária). Vou ter de lavar e pentear aquele negócio. Eu nunca fiz, nem vi ninguém fazer isso - estou contando com meus livros e vídeos. E com minha fé. Ainda não tenho como avaliar a qualidade da lã - não creio que servirá para fiar, mas deve servir para feltragem (eu sei, prometi escrever sobre feltragem - breve!).
Abaixo, fotos históricas - o primeiro velo a gente nunca esquece:
Eu tinha dito que ia fotografar a tosquia, mas ela ainda vai ser agendada; fui hoje buscar um velo que o Seu Arlindo, administrador da propriedade, já tinha guardado há algum tempo. "Guardado". Esclarecendo: estava dentro de um galão sem tampa, debaixo de um telheiro com muitas teias suspeitas; ele ia incinerar a lã, como de costume, porque não tem o que fazer com ela, mas a partir de agora vai guardar para mim. E aí, diante de meus olhos arregalados, Seu Arlindo foi enfiando a mão no galão e puxando láaaaa de dentro os punhados de lã bruta. Diálogo:
Eu: Tem bicho aí não, Seu Arlindo?
Ele: Bicho? (morando lá, esse termo para ele deve ser bem vago, a abrangência é grande...)
Eu: Carrapato, aranha...
Ele: Normalmente não... ( e começou a sacudir bem a lã para me convencer, como se isso fosse possível)
Eu: É que tem tanta teia aqui, né?
Ele: Teia de aranha?
Eu: É, aranha.
Ele: (me tranqüilizando) Aranha faz parte, né?
Eu: (...) (tentando não desmaiar)
Bem, aparentemente não havia bichos. Pelo menos não aracnídeos, o que já é um consolo.
Além do pacotão que perfumou meu carro, cheguei em casa munida também de uma bacia grandona, um par de rasqueadeiras (oficialmente servem para pentear cachorros, mas me informaram que funcionam como cardadeiras de pentear lã), um par de luvas e um vidro de sabão líquido suave (apesar de ser grande a tentação de usar água sanitária). Vou ter de lavar e pentear aquele negócio. Eu nunca fiz, nem vi ninguém fazer isso - estou contando com meus livros e vídeos. E com minha fé. Ainda não tenho como avaliar a qualidade da lã - não creio que servirá para fiar, mas deve servir para feltragem (eu sei, prometi escrever sobre feltragem - breve!).
Abaixo, fotos históricas - o primeiro velo a gente nunca esquece:
Não é um cadáver, tá?
Que bom que fotografias não registram cheiros...
As fotos abaixo são de livros meus - pessoas sorridentes lidando com os velos... isso é que me dá fé!
Estas fotos são dos livros "Fiber Gathering" e "Shear Spirit": o primeiro mostra dez festivais de fibra em diferentes regiões dos EUA; o segundo mostra as dez principais fazendas de produção orgânica de fibra animal, também em diferentes regiões dos EUA. Ambos são lindíssimos, e ajudaram a alimentar minha paixão por esse universo.
Volto em breve - espero que para mostrar fotos de meu velo limpinho e penteado!
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Twist and shout! - e uma notícia boa...
Olá!
Dias corridos - aniversário de 15 anos de minha filha, hóspedes em casa, etc. Mesmo assim, curiosa como estava, fiz mais experiências com fiação - tipo 3-ply, como tinha mencionado; o resultado foi muuuuuito mais bacana: o fio ficou bem acabado, a amostra tricotada apresentou uniformidade e bom caimento:
E vamos à notícia boa: hoje recebi um telefonema que estive esperando muito! Há tempos eu pesquiso criadores de carneiros aqui na região; já encontrei em Maria da Fé, em Alfenas e também tive algumas indicações em Borda da Marta; na semana passada segui uma indicação e me embrenhei para os lados da Pousada Recanto do Teimoso, aqui mesmo em Pouso Alegre... e dei de cara com um rebanho! Deixei meu cartão com a caseira e hoje o proprietário me contatou. Como resultado, fui convidada a acompanhar uma tosquia e voltar para casa com um velo de carneiro!
Minha animação é por conta de um projeto que estamos desenvolvendo no núcleo de artesanato da ACAJAL - Associação Cultural José Antonio Lobo. Vou contar mais sobre o projeto em breve, e também vou mostrar os carneiros e a tosquia (ainda vamos programar). Por enquanto, deixo vocês com a foto que tirei quando estive na propriedade semana passada:
Dias corridos - aniversário de 15 anos de minha filha, hóspedes em casa, etc. Mesmo assim, curiosa como estava, fiz mais experiências com fiação - tipo 3-ply, como tinha mencionado; o resultado foi muuuuuito mais bacana: o fio ficou bem acabado, a amostra tricotada apresentou uniformidade e bom caimento:
1. Três tigelinhas para separar as três bolas de singles;
2. Torcendo os três singles juntos;
3. A bobina enche rapidinho;
4. A torção (twist) do processo de plying neutraliza a torção dos singles, resultando em uma meada equilibrada;
5. Meada transformada em bola;
6. Amostra tricotada - deu certinho! A essa altura eu já estava com vontade de cantar "Twist and Shout" pela sala - daí o título desta postagem!
Minha animação é por conta de um projeto que estamos desenvolvendo no núcleo de artesanato da ACAJAL - Associação Cultural José Antonio Lobo. Vou contar mais sobre o projeto em breve, e também vou mostrar os carneiros e a tosquia (ainda vamos programar). Por enquanto, deixo vocês com a foto que tirei quando estive na propriedade semana passada:
Até breve!
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Experimentos
Eu tinha dito que planejava fiar a lã naturalmente colorida e criar fios do tipo 3-ply - três singles torcidos juntos. Mas a impaciência foi grande - mal comecei a fiar a segunda cor e fiquei louca para criar uma primeira combinação. Então fiz o plying só com dois singles, mesmo - o bege-acinzentado e o marrom.
Aqui vão os detalhes da experiência; as fotos não estão muito boas porque estava chovendo horrores e eu fotografei dentro de casa: o flash da máquina é acionado e as imagens ficam com brilho demais, cores alteradas, essas coisas.
A primeira etapa era ter bolas prontas de singles nas duas cores:
Aqui vão os detalhes da experiência; as fotos não estão muito boas porque estava chovendo horrores e eu fotografei dentro de casa: o flash da máquina é acionado e as imagens ficam com brilho demais, cores alteradas, essas coisas.
A primeira etapa era ter bolas prontas de singles nas duas cores:
Em seguida, posicionei as bolas para a roca fiar; eu poderia ter fiado a partir das próprias bobinas, utilizando um suporte chamado lazy kate; mas eu preferi passar os singles das bobinas para o niddy-noddy - o que ajuda a distribuir a torção e me permite saber a metragem; aí não dá para fiar a partir de meadas - foi preciso transformá-las em bolas:
Finalmente, uma meada prontinha,medindo 180 jardas (cerca de 160 metros):
Também não gostei muito desse fio 2-ply: não achei que a definição do ponto ficou boa. Enfim, agora é partir para a produção mais cuidosa e visando um fio mais clássico. Já estou aqui fazendo o plying das outras três meadas mais claras - torcendo os três singles juntos. Parece que vai ficar bem mais bacana. Mas isso eu mostro depois.
Inté!
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Atendendo a pedidos
Pediram para eu publicar a receita do cachecol da última postagem. Vi essa peça no blog Mason-Dixon Knitting, e o ponto também está no livro Super Stitches Knitting. Fiz esta outra versão uns dois anos atrás, com o fio Atena da Cisne:
Obs.: Como tricoto a partir de livros importados, não estou familiarizada com a terminologia em português. Não é frescura, tá? Meus motivos são: 1, não há livros com receitas em português (alguns estão despontando no mercado, traduzidos, mas por enquanto são só flores e quadrados em tricô); 2, as revistas brasileiras só publicam receitas para magras - manequim 38, 40... raramente eu folheio uma revista com receitas em tamanho 42 ou 44. 46 e 48? Nunca vi. E também acho as receitas brasileiras muito superficiais, com poucas explicações: se você sabe, faz sem a receita; se nunca fez aquele tipo de peça, a receita não vai te guiar em nada. As publicações estrangeiras são meticulosas, com receitas muito detalhadas, esquema, dicas, orientações... e em tamanhos até o da Wilza Carla. Sempre. É regra para eles.
Mas vamos lá, o cachecol é bem simples:
SKP: um ponto sem fazer (como meia), 1M, passar o ponto que não fez por cima do meia.
K2tog: fazer dois pontos meia juntos.
É só isso. Perguntaram também se o cachecol está à venda: não, é um presente para uma amiga que faz aniversário em breve!
Obs.: Como tricoto a partir de livros importados, não estou familiarizada com a terminologia em português. Não é frescura, tá? Meus motivos são: 1, não há livros com receitas em português (alguns estão despontando no mercado, traduzidos, mas por enquanto são só flores e quadrados em tricô); 2, as revistas brasileiras só publicam receitas para magras - manequim 38, 40... raramente eu folheio uma revista com receitas em tamanho 42 ou 44. 46 e 48? Nunca vi. E também acho as receitas brasileiras muito superficiais, com poucas explicações: se você sabe, faz sem a receita; se nunca fez aquele tipo de peça, a receita não vai te guiar em nada. As publicações estrangeiras são meticulosas, com receitas muito detalhadas, esquema, dicas, orientações... e em tamanhos até o da Wilza Carla. Sempre. É regra para eles.
Mas vamos lá, o cachecol é bem simples:
SKP: um ponto sem fazer (como meia), 1M, passar o ponto que não fez por cima do meia.
K2tog: fazer dois pontos meia juntos.
Montar 22 pontos (ou múltiplos de 5 + 2)
Carreira 1: 2T, 3M, encerrar com 2T;
Carreira 2 (e todas as carreiras pares): 2M, 3T, encerrar com 2M;
Carreiras 3 e 4: repita as carreiras 1 e 2;
Carreira 5: 2T, *1M, 1 laçada, SKP, 2T; repita partindo do * até o fim da carreira;
Carreira 6: como todas as carreiras pares;
Carreira 7: 2T, *K2tog, 1 laçada, 1M, 2T; repita do * até o fim da carreira;
Carreira 8: como todas as carreiras pares.
Repita as carreiras 5, 6, 7 e 8 até ter o comprimento desejado; encerre com as carreiras 1 e 2, duas vezes.
Tenham um boa semana!!!
domingo, 8 de janeiro de 2012
Blocando
Esses dias eu falei sobre o crimp - uma característica da lã; ela se comporta como nosso cabelo: penteou, esticou; molhou, encolheu. Por conta disso, é sempre bom blocar as peças depois de prontas: umedecer, abrir bem em uma superfície plana, e deixar secar. O caimento melhora e o ponto trabalhado aparece bem mais, conforme mostram as fotos abaixo:
1. Antes de blocar;
2. Umidecido e aberto em superfície plana;
3. Depois de blocado;
4. A peça ficou leve e com o caimento mais natural;
5. Posando para a foto - de cachecol, em janeiro, no Hemisfério Sul!
Agora é aguardar alguns meses para usar. Aqui no Sul de Minas normalmente dá para usar em maio. Até lá, fico só admirando: é bem legal acompanhar o processo todo, desde a lã branquinha que parece chantily, até a peça final, totalmente transformada. Por nossas próprias mãos. Não tem preço!
Bom domingo, até a próxima!
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