sexta-feira, 27 de julho de 2012

Por dentro!

Já falei nessa postagem sobre a lã produzida pela Fazenda Caixa D'Água. Admiro o produto deles e percebo que as pessoas por trás desse trabalho têm idéias bacanas. Agora esse pessoal também está mantendo um blog, onde acredito que poderemos aprender bastante sobre a utilização da lã de carneiro.

Confiram:

http://caixadagua.com/blog/

Sexta-feira linda e beeeeem menos frio aqui no Sul de Minas. Bom fim de semana!

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Carona Rapidinha!

Não gosto de "pegar carona" em outros blogs, mas estou abrindo uma exceção: as meninas do blog "Tricoteiras" postaram um artigo bacana sobre a lã natural, que vale a pena ser repassado. Aqui vai ele:


Que bom saber que a mentalidade está mudando e as fibras naturais estão começando a ter o devido valor e respeito.

Fabricantes, H-E-L-L-O: acordem, vocês precisam acompanhar essa tendência!

Como o artigo se chama "Manifesto da Lã", eu assino embaixo!


Inté!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Manifesto contra o frio?

Quase isso. Andei sumida aqui do blog por duas semanas, e a causa principal, lamento dizer, foi o frio. Explico:

- Não tá dando para ficar sentada na frente do PC pesquisando ou digitando. As mãos congelam.
- Não tá dando para sentar diante da roca e ficar parada fiando - congela o corpo todo!

O que tá dando para fazer?

Bem, o ateliê de patchwork está funcionando em um ritmo calminho este mês, por conta das férias escolares - muita gente viajando e etc. Quando estou dando aula eu me movimento sem parar, então não sinto tanto frio. Mas quando a gente pára o corpo grita: Sol, please! Aí eu fico inventando desculpas para ficar no quintal - varrer, pendurar roupas, mexer com plantas, etc. Essa semana eu fiz um pouquinho de tricô - sentada ao sol. Mas meu hábito de assistir a filmes à noite, fazendo tricô ou fiando, já era. Assistir a filmes só debaixo de muitas camadas de cobertores e com uma fumegante caneca de chocolate nas mãos.

O que tricotei? Este "kit de emergência":


Uma boina e uma par de luvinhas sem dedos. As luvinhas quebram um galhão e me convenceram a sentar aqui hoje e tentar escrever:


Na foto acima, participação especial de meu pijama de flanela, que ainda não tirei apesar de já serem... que horas mesmo? Deixa pra lá!

A boina ainda está blocando, ou seja: molhei um pouquinho, espremi dentro de uma toalha e arranjei um prato dentro para ela secar no formato:


Espero que seque logo, antes que comece a nevar!

O fio é o Cascade 220 da Cascade Yarns. 100% lã peruana, custa cerca de seis dólares a meada e vem com 220 jardas - ou cerca de 200 metros. Quando comprei escolhi o cinza porque não deu para decidir entre as 170 cores disponíveis!

Nesse intervalo de tempo desde que escrevi pela última vez recebi pelo correio meu exemplar trimestral da Spin Off, revista sobre fiação artesanal que já citei aqui várias vezes. Nunca deixo de me espantar principalmente com uma sessão de notícias do mundo da fiação - fica bem claro o quanto a atividade é valorizada por lá. Essa última edição trouxe um artigo sobre uma mulher que comprou peças de bicicletas usadas e construiu... rocas!


Outro artigo bacana mostrou uma vinícula na Califórnia que abriu um estúdio de fiação e tem atraído mais visitantes ainda. No ano passado a proprietária, Lexi Boeger, instituiu o "Yarnival" - um festival anual de fibras que oferece cursos, material, inspiração, etc. - e o sucesso foi total. Já pensou com esse frio? Beber um vinhozinho e fiar? Não nessa ordem - eu teria de fiar primeiro e beber depois... Para saber mais, visite os sites da Boeger Winery e do Pluckyfluff Studios.

Mudando um pouco o assunto: tenho uma confissão a fazer. Gente, eu comprei. Sabe aqueles fios nacionais cheios de frescura, 100% sintéticos, que eu critico tanto? Comprei um novelo. Não me lembro agora o nome do fio nem o fabricante, mas é um fio daqueles cheios de pompons, para "tricotar" com agulhas gigantes:


Em minha defesa, só posso dizer: não tenho a menor intenção de tricotar com ele; comprei para enfeitar uma cortina. Acordei um dia com a macaca e enjoei de toda a decoração da casa, bem básica, em cores discretas e bem comportadas. Estou mudando tudo aos poucos, só acrescentando toques coloridos aqui e ali. Eu tinha visto na internet uma cortina simples como a do meu quarto, mas que tinha um acabamento de mini pompons coloridos em toda a volta. Mostrei a minha filha e ela perguntou: "é feito com aquela lã de pomponzinhos?" Não era, mas passou a ser! Ô, garota experta! Mas em vez de enfeitar o contorno eu exagerei e pendurei fios em todas as argolas:


Pronto! Cortina nova! 

Outros toques coloridos que acrescentei ao ambiente, sem gastar quase nada:

A cabeceira da cama box (idéia do Pinterest) foi feita com três futtons quadrados que comprei na loja de 1,99 - cada um custou oito reais; acrescentei faixas para pendurar, em tecido de patchwork, e forrei botões com a mesma estampa.

As almofadas são todas feitas em casa com tecidos que eu já tinha, assim como a colcha de retalhos floridos.

Troquei a cúpula do abajur por uma rosa-choque (minha filha adolescente está chocada até agora); a mini-cômoda que aparece na pontinha da foto é a que mostrei em uma postagem anterior, feita com pedaços de dois velhos criados-mudos; ainda preciso pintá-la.


Também com tecidos que já tinha, fiz este painel em patchwork para uma outra parede. Nesta foto ele ainda não está pronto - está sanduichado e alfinetado pronto para quiltar; ele na verdade já está pronto e pendurado no quarto, mas não sou boa em fotos dentro de casa - saem terríveis! 


Filtro dos sonhos feito com um circulozinho de crochê que eu já tinha (uma antiga amostra), um aro de plástico recortado de um pote (e forrado com fio perlé) e fitas, rendas, sianinhas e contas coloridas. Segundo a tradição, falta acrescentar uma pena.


O revisteiro é uma floreira de madeira, pintada de laranja. Também idéia do Pinterest.


Bastidores exibindo tecidos de algodão (essa idéia já é antiga, há anos vejo isso na internet); as borboletas são de mdf pintado. A foto não está boa - como disse, minhas fotos em ambientes internos nunca saem boas. 

Essa semana o pessoal do Fotoclube de Pouso Alegre está promovendo um curso aqui na cidade; eu queria muito fazer, mas no momento não tenho nem o horário livre nem o din-din. Um dia eu faço.

Por hoje é isso. Até a próxima!

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Agradecimentos e etc...

Lindo dia, mas muito frio aqui no Sul de Minas! Tempinho bom para fiar, mexer com lã... mas eu continuo sem tempo, correndo muito! Estou tentando tricotar uma boina, mas em vários dias sequer terminei o início do contorno da cabeça...

Ainda nem escrevi às pessoas que me cumprimentaram pelo marco 5000 postagens no blog, então vou fazer isso aqui, coletivamente: muito obrigada por todas as mensagens de carinho, apoio e incentivo! Não consigo descobrir o que está havendo com o blogger - não sei o que está impedindo que a maioria das pessoas poste comentários diretamente aqui. Escrevi para eles, que disseram já estar trabalhando no problema. Vamos torcer para resolver logo.

Mas eu dizia que ando muito sem tempo. Ampliei o ateliê e estou abrindo muitos grupos novos de alunas, e de quebra estou sem nenhum tipo de ajuda doméstica. Tem quem me pergunte como consigo isso, e a resposta é simples: sou míope, mas dentro de casa eu não ponho os óculos. Se puser, o serviço não acaba nunca.

Nos intervalinhos que consigo fisgar aqui e ali, estou trabalhando em um projetinho pessoal: renovar a decoração de alguns cômodos da casa. Vocês conhecem a história - "casa de ferreiro, espeto de pau". Ensino minhas alunas a quiltar, mas minha própria casa precisava de uns quilts novos aqui e ali!

Isso não significa que a lã ficou totalmente de lado: não tenho fiado, mas eu e a presidente da ACAJAL temos corrido atrás de ajuda para o projeto de resgate do uso da lã de carneiro aqui na região: conseguimos apoio do SEBRAE, que é super importante (= ajuda de consultores) e vamos começar a preparar um documentário: estamos contatando gente do local que ainda tem a roca da avó e pode contar histórias sobre a fiação e os carneirinhos que já andaram por aqui. Depois conto mais.

Hoje o que posso contar é que fiz uma colcha bacana. Parece que não tem a ver com o assunto do blog, mas tem: tenho falado em sustentabilidade e consumo exagerado; minha meta era fazer a colcha inteira sem comprar nada, e consegui! Fiz a colcha inteiramente com sobrinhas de tecido. Eu achava que teria de comprar tecido pelo menos para o forro (a metragem utilizada é enorme!), mas nem isso foi necessário: fiz com umas sobras do tecido branco que minha filha utilizou na barraca da feira de ciências de sua escola, no ano passado. E aqui está o resultado:


O contraste do branco com o colorido forma o design; mas o colorido é totalmente aleatório. Ou seja, você pode formar um design  aproveitando-se do equilíbrio entre claros, médios e escuros - mas sem preocupação com as estampas em si. Eu já havia feito uma colcha de solteiro assim, anos atrás, toda em azul:


Não parece, né? Mas onde se vê quadradinhos azuis escuros na diagonal, são vários tecidos azuis escuros misturados; onde se vê uma grande moldura branca, em volta das flores, são vários branquinhos; e assim por diante. Tudo sobrinha.

Isso só reforça minha teoria de que patchwork é o melhor exemplo de resourcefulness. Já falei sobre esse assunto aqui: a arte de pegar o que está disponível e fazer algo bonito. Pena que as publicações sobre artesanato incentivam o contrário: elas não ensinam você a pensar, a ser inventiva; dão "receitas prontas", e eu conheço pessoas que vão para a loja com a revista procurar exatamente o paninho que aparece na foto. Então, que tal tentar o caminho inverso? Não escolha um projeto porque viu na revista e achou bonito; veja o que já tem em casa e use a imaginação - tente inventar o projeto para aproveitar aquele material. É  um exercício, e quando a gente insiste fica boa nisso. E eu garanto que a satisfação é muito maior: você ganha uma peça única, que ninguém tem igual!

Mas voltando a minha colcha: eu estava com aquele sanduichão enoooooorme e sem muita disposição para quiltá-lo ("sanduíche" é quando você tem o patchwork pronto, e aí arruma camadas com a manta acrílica e um forro; depois faz uma costura decorativa - uma espécie de matelassê - para prender as camadas). Percebi, no entanto, que essa é uma ótima atividade nesse frio que está fazendo aqui: você quilta e ao mesmo tempo se embrulha!!!


As luvas são próprias para quiltar: têm bolinhas emborrachadas que ajudam na "pegada" - fica mais fácil movimentar a peça. Mas também esquentam as mãos, é claro!

Aparentemente minha gata Kimee também achou interessante participar disso - de perto:



Kimee é mãe da Tailee, que adora sentar no meu notebook e que eu já mostrei aqui no blog. Ela também deixou sua participação especial em minha colcha nova:


Já me perguntaram de onde vêem os nomes: Kimee é uma das moças da primeira temporada da série "Hi-5" (Discovery Kids); e Tailee é personagem da série japonesa "O Último Dobrador de Ar". Também tenho aqui em casa a Rosalie (Rosalie Cullen, uma das vampiras do livro/filme "Crepúsculo"). Meus filhos que escolhem!

Tailee também adora minha roca: quando fio ela fica olhando e movendo a cabecinha, acompanhando o giro da roda... 

Enfim, apesar da correira e da falta de tempo, é um privilégio poder trabalhar diariamente nesse universo de fibras, texturas, cores... e pêlos de gatos!

Até a próxima!

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Dia de Comemorar!



Hoje o Falando de Fibras está comemorando
cinco mil acessos!




Eu sei que parece pouco - o mundo virtual está cheio de blogs com centenas de milhares de acessos. Mas para mim isso significa muito: eu me interessei por fibras e fiação artesanal; e, na frustração de não ter com quem compartilhar essa minha paixão, resolvi iniciar o blog em dezembro de 2011 - há apenas seis meses. Fico muito feliz por ter encontrado pessoas que lêem o que escrevo e também se interessam pelo assunto. 

Muito obrigada a todos os visitantes!

Abraço da Jane

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Das voltas que o mundo dá

Hoje é o primeiro dia do início de uma nova fase em minha vida - daí o título. Mas esta postagem também poderia se chamar "As voltas que os meus móveis dão". Percebi isso hoje quando quis fotografar algo para mostrar aqui: fui direto para a varanda dos fundos, onde há um banco de madeira... oops! Havia...

O banco veio parar no ateliê. Eu costumava fotografar meus tricôs e etc nele, pois onde ele ficava a luz é boa e as fotos saíam bacanas. Aqui no blog há muitas fotos em que o meu banco aparece. Mas, como tudo na vida é mutável, andei fazendo a dança das cadeiras aqui em casa, e não foi só com as cadeiras: esvaziei parte da sala de TV, e pus lá os móveis da sala principal que ainda estavam em meu ateliê (sim, meu ateliê ocupa a sala principal); o dito ateliê ficou mais amplo, com mais opções de arrumação...exceto por uma área que, na minha opinião, ficou vazia demais. Pensa daqui e dali, chamo minha filha atrás de casa e decido: "me ajuda a carregar esse banco lá para o ateliê!" E aí, banco desbotado + quilt colorido + almofada + tapete da Borda da Mata + baú & livros...surgiu esse cantinho:

Para complementar, minha roca - a estrela! E agora é começar a encerar o banco regularmente para ele ficar menos desbotadinho e ninguém perceber que ele passou anos em uma área externa. Assim surgiu um cantinho onde minhas alunas podem sentar, tomar um chá e folhear um livro. Nesse espaço costumavam ficar as máquinas de costura, que foram parar em outra parede bem mais simpática:

E por falar em livros... eu também precisava de um lugar para a coleção de livros do ateliê. Há tempos eu havia convertido um barzinho em bufê de chá, e esses dias tive um "plim" (= efeito de lâmpada acendendo): virei os fundos do barzinho para a frente e arrumei nele os livros:

O pufe que aparece na foto é velhíssimo, mas ganhou vida nova com a capa de patchwork. Não vou mostrar foto do "antes": ele era muito feio mesmo, acreditem!

Com mais espaço no ateliê aproveitei e ampliei o "departamento de matrículas e design": arrastei para cá uma escrivaninha bem sambada que estava sem uso em casa:

Ela também é bem feiosa... mas vou fazer uma graça nela - me aguardem! (Fazer graça = improvisar com com lixa, cola, tinta e tecidos!)

Outra coisinha em meu ateliê que anda precisando de uma renovada é uma cômoda antiga que comprei em um brechó e que abriga minha coleção de tecidos:

Ela é linda, linda... mas tá caída. É fato. As gavetas precisam de conserto e no tampo há umas manchas estranhas, mais claras, em forma de espiral. Mistério... Mas um dia a ficha caiu: são marcas de antigos repelentes para mosquitos - aqueles que a gente acendia e soltavam uma fumacinha... não vejo aquilo há uns trinta anos ou mais! Caramba, me entreguei agora... melhor mudar de assunto. Falei nisso para vocês imaginarem a idade da cômoda, mas assim vão começar a imaginar a minha idade também!

Em tempo: a máquina em cima da cômoda era de minha avó - a fofíssima e cheirosa Vovó Cotinha. Ela se foi há dezesseis anos, mas é assim que lembramos dela. Em sua homenagem, acabo de batizar o ateliê de "Baú da Cotinha":


Para o meu pai, que faleceu há dois anos, não ficar com ciúme da vovó eu decidi homenageá-lo também, e estou usando o "Rotta" - meu sobrenome de solteira e do qual ele se orgulhava bastante. Uma amiga astróloga disse que "Jane Rotta" tem nove caracteres, e que segundo a numerologia esse é um número ótimo. Não é, Elane?

Depois que a gente começa não pára mais... Antes de eu trazer a escrivaninha para o ateliê eu guardava papelada em um velho criado-mudo - que ficou sobrando e, por acaso, tinha um irmão gêmeo dando sopa em outra parte da casa. Munida de régua, lápis, serrote e cola de madeira, transformei os dois criados-mudos em uma mini cômoda de cinco gavetas:

Agora ela também precisa de uma graça, é claro. Mas essa não vai ficar no ateliê - foi designada para outro cômodo da casa.

Essa reviravolta toda tem como inspiração o Pinterest, um site viciante com imagens sobre várias áreas de interesse - inclusive decoração e um departamento que adoro: o DIY, ou Do It Yourself - "Faça Você Mesmo". Sinceramente, acho bem mais divertido - e sustentável -  reaproveitar do que comprar móveis novos. Tenho pensado muito na arquiteta que acompanhou a construção de minha casa: na época elaboramos a planta de acordo com os móveis que eu tinha e como pretendia distribuí-los. Em uma ocasião ela me disse: "e quando você for trocar os móveis?" Respondi: "quem disse que pretendo trocar meus móveis?". Bem, não troquei nenhum até hoje, mas com certeza alguns mudaram de lugar e/ou função - como o barzinho que hoje é bufê de chá + estante de livros! Mas isso foi há quase dez anos e na época eu nem sonhava que a sala principal da casa ia virar meu ateliê. Nem sonhava que eu ia trabalhar nessa área!

Agora que já fugi bastante do tópico deste blog acho que deu para entender por quê há mais de uma semana não posto nada sobre fibras e fiação, certo? Não tenho tido tempo de fiar! Mas, se vocês repararem, lá em cima na logo do blog há uma foto de uma pilha de tecidos. Eu pretendo falar de patchwork e do algodão também - apenas deixei que o interesse pela lã e pela fiação dominasse por um tempo. E isso me leva ao início desta postagem: comecei falando que fui atrás de casa fotografar algo sobre o banco que não estava mais lá, não foi? O "algo" era isso aqui:
Cortei ontem à noite: são 224 quadrados de 6 polegadas - metade em tecidos florais miúdos, metade em creminhos e branquinhos neutros - o que chamamos de "coringas". São para uma colcha que estou começando. Algum tempo atrás eu critiquei aqui no blog (nessa postagem) o esquema que impera hoje em dia no mundo do patchwork, em que designers lançam coleções lindíssimas e carésimas de tecidos coordenados - e roubam de nós a oportunidade de criar mesmo, fazer combinações próprias, inusitadas, únicas. Fica tudo pausterizado. Como mostrei acima, tenho uma cômoda cheia de tecidos e decidi fazer uma nova colcha sem comprar nada. Separei 28 sobrinhas de florais e cortei quatro quadrados de cada: total = 112, o número que eu precisava. Enfim, estou tentando criar algo único. Espero mostrar o resultado daqui a alguns dias. Por incrível que pareça, o painel com espirais que aparece em uma das fotos acima, na parede de tijolinhos, também foi feito com retalhos: eu queria usar cores outonais; separei o que tinha e usei vários marrons, vários mostardas, vários olivas, vários ferrugens... fiz com o que tinha. A idéia é essa: juntar o que se tem para criar um todo. Infelizmente, hoje vendem a idéia de que é preciso comprar novo, picotar e costurar de novo. Isso pode ser necessário quando se está aprendendo e ainda não se tem sobrinhas; mas aqui no ateliê eu me preocupo em ensinar as alunas a criar e calcular os próprios projetos e misturar muitos tecidinhos. Patchwork não tem de ser feito com tecido arrasadoramente lindo. A gente pode pegar tecidos simples e criar um design arrasadoramente lindo. Isso sim é divertido.

E ontem, enquanto cortava, pensei: e esse algodão todo? De onde vem? Como é produzido, e por quem? Há uma demanda enorme por tecidos de patchwork, mas a gente consome e não sabe a origem. Decidi pesquisar a respeito - esse é um blog sobre fibras, não é? Mas ainda estou pesquisando e esse assunto vai ficar para uma outra postagem.

Para finalizar, fica o conselho: olhe para seus móveis com outros olhos. E compre um serrote.

Abraços e até a próxima!