quinta-feira, 8 de maio de 2014

E o Brasil Também Vai Fiar!

Há tempos acompanho o universo das fibras aí pelo mundo, e me frustro porque no Brasil não parecia haver interesse nessa área; mas isso está mudando: há pessoas e empresas com uma mentalidade diferente, e quem se interessa já encontra materiais e informações - com alguma dificuldade ainda, mas já é um começo!

Palmas em especial para a Fazenda Caixa D'Água, que além de produzir fios 100% naturais também oferece fusos para fiar e fibra preparada. Já mostrei essa novidade em uma postagem anterior. E para ajudar quem não conhece e não sabe como usar um fuso, recentemente eles postaram em seu blog este artigo com a história dos fusos e um vídeo onde a artesã Clara Quintela mostra como fiar.

Aqui em Pouso Alegre estamos fazendo nosso trabalho de formiguinha: o projeto AVE LÃ vai estar no Bazar das Arteiras neste sábado, das 10 às 20h, oferecendo demonstrações gratuitas de processamento e fiação da lã - além de exibir lindas peças artesanais em tricô e feltragem.




O Bazar das Arteiras é iniciativa de um seleto grupo de artesãs da cidade e esta é sua segunda edição - que vai oferecer presentes exclusivos para o Dia das Mães, sarau artístico e muitas delícias para saborear. O evento acontece na Galeria Signum Dei - um espaço maravilhoso aqui da cidade que acaba de ser reformado e agora vai ser inaugurado com o bazar.



E vem aí: o segundo Picknit - Tricô no Parque! - de Pouso Alegre. Mais informações na próxima semana. Até lá!

quarta-feira, 30 de abril de 2014

As Pequenas Notáveis

Ele chegou. De repente, atropelando o outono... o frio! Tivemos uma madrugada gelada aqui no Sul de Minas - zero grau em Monte Verde! - e o momento não podia ser melhor para cumprir minha promessa: traduzir as receitas de luvinhas tricotadas sem dedos - projetos pequenos, muito rápidos de confeccionar, e excelentes presentes.


Vou começar pelo modelo mais simples de todos os que encontrei no Ravelry - uma luvinha muito básica que usa menos de 100 metros de fio. No modelo da foto eu usei o fio Akona, da Gedifra; mas é possível usar qualquer fio da espessura do Lã Seda ou Elegance, ou até um pouco mais grosso. Mas quer ouvir minha sugestão do fio nacional ideal? O merino da Fazenda Caixa Dágua, que já mostrei aqui.


Esse tipo de luvinha é tricotada em círculo, com jogo de agulhas para meias - também conhecidas como DPNs, ou Double Pointed Needles - agulhas de duas pontas. Elas se parecem com pauzinhos-de-laranjeira, daqueles usados por manicures. O jogo vem com cinco e aqui no Brasil são difíceis de encontrar; eu gosto das agulhas da marca Pony, vendidas no Bazar Horizonte.

Se você nunca fez tricô circular com agulhas de duas pontas, vai precisar da ajuda de um tutorial e de um pouquinho de treino; neste link você encontrará alguns tutoriais - veja qual deles é mais claro para você. Quando a gente tenta pela primeira vez é uma comédia: parece brincadeira de pega-varetas, tudo desengonçado... mas é bem gostoso depois de pegar o jeitinho! Não desista; você só precisa adquirir a coordenação motora para esse tipo de tricô, e isso só vem com a prática. 

E agora vamos à receitinha:
TENSÃO: aproximadamente 18 pontos/10 cm em ponto meia.

AGULHAS: use a numeração que resulte na tensão acima; a maioria das tricoteiras que conheço tricota bem apertadinho, mas meu ponto é mais frouxo; ou seja, o número da agulha vai variar de pessoa para pessoa.

1) Comece pelo punho: monte 32 pontos e divida em três agulhas: 12 pontos na primeira agulha, 12 pontos na segunda agulha e 8 pontos na terceira agulha. Feche para tricotar em círculo, tomando o cuidado de não retorcer os pontos; coloque um marcador de início de carreira, se desejar (eu não usso esse marcador: sei que estou no inicio de uma carreira por causa do rabinho do fio!)

2) Trabalhe em sanfona de 2 x 2 (2 pontos em meia, 2 em tricô) por uns 5 cm (ou mais, se desejar);

3) Mude para ponto meia e trabalhe duas carreiras simples; 

4) Na terceira carreira em ponto meia você vai iniciar os aumentos para o dedão: faça 16 pontos em meia, coloque um marcador; faça um aumento*, 1 ponto meia, outro aumento, e coloque outro marcador; tricote normalmente em meia até o fim da carreira.

* Esse aumento é daquele tipo em que a gente pega um fio da carreira de baixo com a ponta da agulha e faz um ponto na argolinha resultante. Faça aumentos espelhados: você sempre vai fazer dois aumentos entre os marcadores, então faça um pegando o fio pela frente e o outro pegando o fio por trás. Em inglês esses aumentos são chamados de M1L e M1R ("fazer um ponto à esquerda" e "fazer um ponto à direita"). Se não conhecer, pesquise um vídeo no Youtube. Lá tem de tudo! Nas carreiras com aumento, você vai sempre: passar o primeiro marcador, fazer o aumento, tricotar em meia até o próximo marcador, fazer o segundo aumento, passar o marcador;

5) Você fez uma carreira incluindo os aumentos; agora trabalhe duas carreiras simples, em meia, sem aumentos; apenas passe os marcadores de uma agulha para outra ao alcançá-los;

6) Continue intercalando uma carreira com os aumentos e duas sem aumentos; prossiga dessa forma até que você tenha 13 pontos entre os marcadores;

7) Faça uma carreira simples em meia; na próxima carreira: tricote normal até o primeiro marcador; remova o marcador; arremate os pontos até o próximo marcador; remova o segundo marcador; tricote normal até o fim da carreira;

8) Tricote 7 carreiras normais em meia;

9) Mude para o ponto sanfona; tricote 8 carreiras** e arremate os pontos. Pronto!

** Se você possuir tamanhos variados de agulhas de duas pontas, faça as primeiras 4 carreiras da sanfona final com a mesma agulha que usou desde o início e as últimas 4 carreiras com agulhas menores uma numeração; isso ajuda a sanfona a ficar bem ajustada nos dedos.

Agora vou dar uma dica que aprendi com a Elizabeth Zimmermann (já escrevi sobre ela em outra postagem): não se deixe intimidar por NENHUMA receita. Quando a gente lê parece complicado, mas respire fundo, tenha fé e comece: cada etapa vai fazer sentido no devido tempo.

Logo estarei de volta com outros modelos de luvinhas; mas use sua imaginação e tente incluir variações no modelo acima. Varie os pontos, comprimento do punho, faça sanfonas decoradas... há muitas possibilidades!

Boa sorte, e que venha o inverno!

terça-feira, 22 de abril de 2014

Voltando da Hibernação

Olá!

Impressão minha ou estou, mais uma vez, escrevendo uma postagem cujo título inclui a palavra"voltando"? Bem, em minha defesa só posso dizer que mesmo aqui no sul de Minas tivemos um verão senegalês - e prolongado! Eu sei que "hibernar" tem a ver com inverno, mas criei este ano uma versão da palavra para o calor; não dormi o tempo todo, mas certamente foi um período muito improdutivo. Tocar em lã, então, nem pensar!

Mas finalmente, junto com o friozinho, veio redobrada a vontade de mexer com lã, e já tenho algumas produções para mostrar:


Este poncho foi inteiramente tricotado (e crochetado) com lã que eu mesma fiei na roca de pedal; a lã, que mostrei nesta postagem de um tempão atrás (e mostrei nesta outra o processo de fiação), veio do Rio Grande do Sul. Como podem perceber pelas datas das postagens, já faz um bom tempo que comprei essa lã; depois de fiada fiquei tão encantada que precisei de um "período de adoração" - termo cunhado por minha amiga Rosie, de Niterói: não deu para usar logo - fiquei só namorando o fio e esperando um projeto ideal, para usá-lo sem piedade! 

Eu tinha feito um poncho muito parecido com este, anos atrás, com lã fiada e tingida em casa; mas isso foi quando eu estava aprendendo e o resultado ficou bastante duvidoso; mesmo assim, usei aquele poncho pra caramba, dentro de casa... até o dia em que o coloquei na máquina de lavar por engano e ele encolheu - processo conhecido por feltragem. Fazer o quê? Como aqui em casa nada se perde, no último Halloween eu o cortei em tiras e ele virou parte da fantasia de Nazgul do meu filho! Agora fiz este novo poncho para me consolar.

Vocês não acreditam como essa peça é quentinha...! Só pondo a mão para ter idéia. E essa oportunidade você vai ter logo, em evento do projeto AVE LÃ que acontecerá aqui em Pouso Alegre no mês de maio. Acompanhem as notícias na página do projeto no facebook.

E como todos os anos, nessa época também começo a tricotar luvinhas sem dedo para os amigos. Já estou no segundo par, mas estou indo devagar porque prometi publicar as receitas em português. Estou tricotando e tomando notas... Eu sempre uso receitas em inglês que consigo no Ravelry; e como as que tricoto são receitas gratuitas, não há problema em traduzir e compartilhar, com o consentimento dos designers originais. Vou começar a divulgar essas receitas aos poucos nas próximas postagens.

Não conhece ainda as luvinhas sem dedos?! São deliciosas de usar e muito práticas para quem fica um tempão digitando. Aqui onde moro não dá para viver sem. Abaixo, as fotos de modelos que tricotei nos últimos anos, e cujas receitas publicarei em breve:


Até a próxima!


domingo, 2 de fevereiro de 2014

Voltando às Atividades!

Olá!

Estou um pouco envergonhada por esta ser a primeira postagem do ano - hoje, dia 2 de fevereiro. Não vi o fim de 2013 chegar, e mal vi o primeiro mês de 2014 passar.

Muita coisa aconteceu nesse período. No ano passado, em outubro, realizamos uma mostra grande de patchwork - uma retrospectiva - aqui na cidade, e isso nos consumiu muito tempo (fotos aqui). Quando a mostra terminou já era novembro: estávamos em preparativos para um bazar de Natal; depois veio o próprio Natal e em janeiro um calor senegalês, como disse uma amiga minha (e ela mora em Curitiba...). Também em janeiro realizei uma empreitada hercúlea: mudei meu ateliê para um novo espaço, o que envolveu obra, quebradeira, poeira, tempo, grana... enfim, tudo isso me impediu de ter muito o que postar aqui no blog das fibras.

Mas para provar que não me esqueci do projeto nesse período, aqui vão algumas novidades:

1) O Projeto AVE LÃ! está sendo lançado oficialmente; temos agora uma página no facebook; vamos utilizá-la para divulgar atividades do projeto e também para fins educativos: em geral, as pessoas desconhecem os usos da lã, suas propriedades e possibilidades; e principalmente, pouca gente se dá conta de que ela já foi muito utilizada em nossa região. Pode parecer que o conteúdo da página e aqui da blog é o mesmo; mas as postagens da página serão sempre curtas, e aqui no blog eu vou continuar desenvolvendo bem mais os assuntos (quem acompanha sabe que as postagens são quase sempre longas). Já temos 97 curtidas na página e estamos esperando a sua!



2) Apesar do silêncio, estive "tramando" durante esses últimos meses: o projeto adquiriu um pacotão de lã do tamanho de minha casa (tá, exagerei) e conseguimos uma pessoa na cidade que está fabricando fusos para a gente. A partir de março estaremos em locais públicos fazendo demonstrações de fiação artesanal e quem gostar poderá adquirir um kit de sacolinha personalizada, fuso e lã natural. Mas avisamos desde já: fiar é viciante!

Este pacotão contém 3 quilos de lã; parece pouco, mas lembre que um novelo comprado geralmente tem 50 gramas; aqui ela está compactada, mas quando tiro do pacote parece que triplica de volume.

A lã é de carneiros de raça não definida, mas veio cardada e tem boa qualidade - ótima para fiar; mas não serve, por exemplo, para tricotar um cachecol. A cor natural e o cheirinho são deliciosos (eu gosto de cheiro de carneiro, uai); ela veio de Itamonte - do Sítio do Bicho Sem Vergonha. Visitem o site e vejam que delícia de lugar.

Este é um fuso. Não, não tem perigo de furar o dedo - mesmo depois de instalar o ganchinho que ainda está faltando. Fusos são peças extremamentes simples e até hoje fia-se com a ajuda dele em muitas culturas em todo o planeta.

Estes fusos foram encomendados pelo AVE LÃ! a um profissional que fabrica... instrumentos musicais! Ele produziu alfaias - tambores de maracatu - para um projeto de música de ACAJAL, e pelas ferramentas que usa imaginamos que daria para ele fabricar os fusos. Esse rapaz caiu do céu!

3) Continuo indo atrás de carneirinhos aqui na região; durante as férias estive em uma propriedade em Maria da Fé: acho que essa é maior criação de carneiros que visitei aqui por perto até agora; o proprietário é Grego e conversar com ele foi uma delícia. Fascinada pelas histórias, acabei não fotografando as peças lindas que ele ia mostrando - feitas por três irmãs de uma cidade vizinha: elas mesmas processam, lavam, cardam e fiam a lã, e trabalham maravilhosamente no tear. Mas estamos programando uma visita a elas, e aí terei fotos, com certeza; mas os carneirinhos eu fotografei (perdoem o dedinho na primeira foto):




4) Mesmo sem estar postando, tenho trabalhado um pouco com lã, apesar do calor: no momento estou fiando essa BFL (Blue Faced Leicester) misturada com seda Tussah que comprei de fora do país. O nome da cor é Creme Bruleé e está ficando maravilhosa. Junto com ela veio o ganchinho especial para puxar a fibra pelo orifício da roca. 



Por enquanto é só. Continuem nos acompanhando! Até breve.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Férias Forçadas

Olá! Desculpem, sei que o blog anda um pouquinho no abandono... quem me conhece sabe que ando super atarefada por conta da 5ª Mostra de Patchwork de Pouso Alegre, que meu ateliê organiza todos os anos em parceria com a ACAJAL, e que estréia na quarta que vem, dia 16.

Hoje estou abrindo um parêntese para anunciar uma ótima oportunidade para quem se interessa pelo trabalho artesanal com a lã de ovelha - um curso com a mehor professora do país, e em um lugar maravilhoso onde já estive:


Eu visitei o local e conheci as pessoas especiais que o comandam no ano passado, em uma visita que descrevi aqui. Para mim ainda não vai ser dessa vez... quem puder, se joga!

Mas, por mais que o blog esteja parado no momento, depois da mostra eu prometo postagens novas e muitas novidades - incluindo o lançamento oficial do projeto AVE LÃ!, do Núcleo de Artesanato da ACAJAL, do qual sou coordenadora. Aguardem! E enquanto esperam, não deixem de visitar nossa exposição de patchwork:

Até breve!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Eles ainda não aprenderam...

Ando quietinha, né? Tenho tricotado um pouco e fiado alguma coisa, mas devagarzinho: o ateliê de patchwork anda me tomando bastante tempo - o que é bom! Mas aí restringe meu tempo dedicado às pesquisas.

Frio cruel aqui no Sul de Minas, inverno a todo vapor (essa semana o sereno congelou de madrugada no teto dos carros em Monte Verde), mas as lojas já estão liquidando os fios encalhados. Todo ano eu mostro isso, mas parece que os fabricantes ainda não aprenderam... acho que só desenhando!

Então vou explicar de novo:

Fabricantes, vocês ficam lançando, todos os anos, fios sintéticos, cheios de frescura, grandalhões...mas a gente não quer isso; a gente quer coisa boa. Aí encalha tudo, e depois vocês liquidam por preços muitas vezes reduzidos em mais de 50%... uma sacanagem com quem comprou ANTES da liquidação, né? Desculpem o termo, mas não tem outro.

Duvida? Confira no link:

http://www.bazarhorizonte.com.br/croche-%26-trico/*saldao*/&sid=56&cm1=4&cm2=37&utm_source=news-220&utm_medium=newsletter&utm_campaign=saldao-marcas

Agora, alguém me explica o seguinte: por que esse fio aqui nunca vai para o saldão?

Imagem do site Bazar Horizonte

Este é o Cisno Merino - aqui no Brasil o melhor fio dos grandes fabricantes no momento: 50% merino (lã naturalíssima!) e 50% microfibra. Ainda não é o ideal, mas é o que temos de melhor: um fio de boa composição, clássico, básico, que permite fazer trabalhos realmente elaborados, elegantes, com pontos bem trabalhados. O Cisne Merino não vai para o saldão porque existe demanda para ele - é isso que a gente quer, viram, Srs. Fabricantes?

Entenderam, ou querem que desenhe?

Por tudo isso é que, mesmo com pouco tempo, não desisto das pesquisas. Ando descobrindo carneirinhos em mais cidades aqui da região. Notícias em breve!

Inté!