O blog da Fazenda Caixa D'Água publicou uma postagem legal citando o vídeo "E a velha a fiar"- segundo eles uma preciosidade de 1964, um dos primeiros videoclipes do Brasil e do mundo. Digo "segundo eles" porque não assisti: quando cliquei no link que eles compartilharam no facebook, a cena inicial do clipe mostrava uma baita aranha! Uma aranha muito, muito grande. Quem me conhece sabe que tenho fobia de aranhas - como já deixei transparecer em uma de minhas primeiras postagens - essa aqui.
Quando falo em fobia de aranhas não quero dizer medo das bichinhas ao vivo: não posso nem ver fotos, cenas, desenhos, nada que me lembre delas. Recentemente quase surtei assistindo ao novo filme do Homem-Aranha com meu filho: o Peter faz uma busca na internet e aparece um monte de fotos horripilantes!
Mas as aranhas têm, na verdade, um simbolismo interessante no mundo da fiação e da tecelagem. Aracne era uma fiandeira e tecelã que desafiou a deusa Atena e foi por ela transformada em aranha. A história você lê aqui.
E, se você acha que não vai se abalar com uma aranha fotogênica que é a estrela do vídeo em questão, assista e depois me conte: http://caixadagua.com/blog/?p=79
Eu passo!
Fibras. Algodão, lã, linho. Bordar, entrelaçar, costurar, fiar, tricotar... vestir. Quem repara nas fibras? Elas estão presentes o tempo todo em nossas vidas, tocando-nos, aquecendo-nos... e nem prestamos atenção a elas. Neste blog vou falar sobre as fibras com as quais trabalho e o prazer diário que elas me proporcionam!
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
sábado, 4 de agosto de 2012
Descobertas
Tenho andado ocupada nas pesquisas. Em inglês, "pesquisar" é research. Como "search" é procurar, entende-se que "re-search" é procurar, e procurar novamente! E é isso que tenho feito...
Provar que a utlização da lã de carneiro já foi corriqueira por aqui: eis a maior preocupação do projeto da ACAJAL que busca resgatar e documentar essa prática na região. Assim sendo, continuo buscando contatos, conversando com pessoas e juntando informações. Já descobri histórias em várias cidades aqui no Sul de Minas - Borda da Mata, Santa Rita do Sapucaí, Bueno Brandão, Ouro Fino... só não contava com essa: assistindo a um vídeo da D. Zélia Scholz, renomada fiandeira e tecelã que ensina em Curitiba, PR, ela começa a falar da tradição do uso da lã de ovelha em sua família e de sua infância... em Minas Gerais!
O vídeo é este:
Pois é... eu jurava que D. Zélia era do sul, mas essa artista talentosa é daqui. Ela é uma das pessoas que lutam para divulgar e manter a tradição da fiação artesanal no Brasil. Para saber mais, visite seu blog. Foi lá que eu li essa interessante lenda, que eu não conhecia.
Já contei aqui que ganho meu dia quando faço uma descoberta dessas? Hoje ganhei o mês!
Bom fim de semana!
Provar que a utlização da lã de carneiro já foi corriqueira por aqui: eis a maior preocupação do projeto da ACAJAL que busca resgatar e documentar essa prática na região. Assim sendo, continuo buscando contatos, conversando com pessoas e juntando informações. Já descobri histórias em várias cidades aqui no Sul de Minas - Borda da Mata, Santa Rita do Sapucaí, Bueno Brandão, Ouro Fino... só não contava com essa: assistindo a um vídeo da D. Zélia Scholz, renomada fiandeira e tecelã que ensina em Curitiba, PR, ela começa a falar da tradição do uso da lã de ovelha em sua família e de sua infância... em Minas Gerais!
O vídeo é este:
Pois é... eu jurava que D. Zélia era do sul, mas essa artista talentosa é daqui. Ela é uma das pessoas que lutam para divulgar e manter a tradição da fiação artesanal no Brasil. Para saber mais, visite seu blog. Foi lá que eu li essa interessante lenda, que eu não conhecia.
Já contei aqui que ganho meu dia quando faço uma descoberta dessas? Hoje ganhei o mês!
Bom fim de semana!
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Voltando às Raízes
Já dizia Caetano que gente nasceu para brilhar - não para morrer de fome. Mas, às vezes, é preciso um empurrãozinho para as pessoas entenderem seu valor e terem a chance de brilhar - ou, pelo menos, (re)conquistarem a autosuficiência e o respeito próprio.
Esses dias li a respeito do The Molo Wool Project. Molo é uma cidade no Quênia, África. Nessa região, a etnia predominante é a Kikuyu, um povo Bantu. A história é clássica: eles viviam na santa paz até que chegaram os europeus, que ocuparam suas terras, impuseram sua forma "civilizada" de vida e sufocaram as tradições locais.
Um livro bacana que fala desse processo é A Fazenda Africana, de Isak Dinesen - na verdade pseudônimo da dinamarquesa Karen Blixen (ganhadora do Nobel de Literatura), que administrou uma fazenda de café perto de Nairobi (a capital) no início do século passado. O livro virou o filme "Entre Dois Amores" e ganhou o Oscar. Não é a mesma coisa que o livro, mas mostra como a fazenda acabou sendo retalhada e transformada em loteamento, desalojando os Kikuyus que lá viviam.
Outro filme interessante ilustra o final da história: O Jardineiro Fiel se passa nos dias atuais e mostra como até hoje o povo local é visto como ferramenta útil pelos poderosos.
Mas voltando aos Kikuyus: originalmente, a grande riqueza desse povo era - adivinhem! - o carneiro. Dos carneiros provinha sua principal atividade econômica e meio de vida. Mas isso se perdeu, e hoje esse povo tenta sobreviver e fugir da miséria, que se agravou depois da onda de violência pós-eleitoral em 2008: muitas mulheres perderam seus maridos e vivem precariamente, em barracos, tendo de seu apenas o produto de uma "agricultura" de subsistência cultivada em poucos metros quadrados de terra.
O projeto de resgate da utilização da lã - The Molo Wool Project - está mudando a vida de algumas dessas pessoas. A Americana Gwen Meyer, diretora do Friends of Kenya Schools and Wildlife -FKSW ("Amigos das escolas e da vida selvagem do Quênia"), ensinou as mulheres a processar a lã, fiar, tingir e tricotar peças recheadas representando os animais selvagens da região - leões, elefantes, leopardos, zebras, etc. É o que chamamos de artesanato legítimo: aproveitamento de matéria-prima e inspiração locais.
No momento o projeto vende seus produtos nos EUA. Com a renda obtida, já foi construída uma sede. E com a melhoria de seus rendimentos pessoais, as participantes hoje moram em casas de verdade, e são capazes de vestir e alimentar suas famílias.
Além dos benefícios materiais, essas mulheres hoje conhecem seu valor e seu potencial: "o Molo Wool Project proporcionou um ambiente encorajador para que as mulheres descubram e expressem seus talentos. Mais artistas do que artesãs, elas não usam moldes para produzir suas peças: criam seus próprios itens observando os animais de verdade!". (Trecho do artigo publicado pela revista Spin-Off em 2011; cópia integral do artigo aqui).
Vou encerrar com o depoimento de uma das participantes:
Diz Jane Wambui, "Agora, no grupo, sentimos que somos mulheres dignas. Sou capaz de alimentar bem os meus filhos (...). Isso transformou minha vida. Acredito que vou continuar tricotando e um dia vou construir outro cômodo. Estou muito feliz."
Esses dias li a respeito do The Molo Wool Project. Molo é uma cidade no Quênia, África. Nessa região, a etnia predominante é a Kikuyu, um povo Bantu. A história é clássica: eles viviam na santa paz até que chegaram os europeus, que ocuparam suas terras, impuseram sua forma "civilizada" de vida e sufocaram as tradições locais.
Um livro bacana que fala desse processo é A Fazenda Africana, de Isak Dinesen - na verdade pseudônimo da dinamarquesa Karen Blixen (ganhadora do Nobel de Literatura), que administrou uma fazenda de café perto de Nairobi (a capital) no início do século passado. O livro virou o filme "Entre Dois Amores" e ganhou o Oscar. Não é a mesma coisa que o livro, mas mostra como a fazenda acabou sendo retalhada e transformada em loteamento, desalojando os Kikuyus que lá viviam.
A atriz Meryl Strip com os Kikuyus em cena do filme "Entre Dois Amores", de 1985.
Outro filme interessante ilustra o final da história: O Jardineiro Fiel se passa nos dias atuais e mostra como até hoje o povo local é visto como ferramenta útil pelos poderosos.
Mas voltando aos Kikuyus: originalmente, a grande riqueza desse povo era - adivinhem! - o carneiro. Dos carneiros provinha sua principal atividade econômica e meio de vida. Mas isso se perdeu, e hoje esse povo tenta sobreviver e fugir da miséria, que se agravou depois da onda de violência pós-eleitoral em 2008: muitas mulheres perderam seus maridos e vivem precariamente, em barracos, tendo de seu apenas o produto de uma "agricultura" de subsistência cultivada em poucos metros quadrados de terra.
O projeto de resgate da utilização da lã - The Molo Wool Project - está mudando a vida de algumas dessas pessoas. A Americana Gwen Meyer, diretora do Friends of Kenya Schools and Wildlife -FKSW ("Amigos das escolas e da vida selvagem do Quênia"), ensinou as mulheres a processar a lã, fiar, tingir e tricotar peças recheadas representando os animais selvagens da região - leões, elefantes, leopardos, zebras, etc. É o que chamamos de artesanato legítimo: aproveitamento de matéria-prima e inspiração locais.
No momento o projeto vende seus produtos nos EUA. Com a renda obtida, já foi construída uma sede. E com a melhoria de seus rendimentos pessoais, as participantes hoje moram em casas de verdade, e são capazes de vestir e alimentar suas famílias.
Além dos benefícios materiais, essas mulheres hoje conhecem seu valor e seu potencial: "o Molo Wool Project proporcionou um ambiente encorajador para que as mulheres descubram e expressem seus talentos. Mais artistas do que artesãs, elas não usam moldes para produzir suas peças: criam seus próprios itens observando os animais de verdade!". (Trecho do artigo publicado pela revista Spin-Off em 2011; cópia integral do artigo aqui).
Vou encerrar com o depoimento de uma das participantes:
Diz Jane Wambui, "Agora, no grupo, sentimos que somos mulheres dignas. Sou capaz de alimentar bem os meus filhos (...). Isso transformou minha vida. Acredito que vou continuar tricotando e um dia vou construir outro cômodo. Estou muito feliz."
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Por dentro!
Já falei nessa postagem sobre a lã produzida pela Fazenda Caixa D'Água. Admiro o produto deles e percebo que as pessoas por trás desse trabalho têm idéias bacanas. Agora esse pessoal também está mantendo um blog, onde acredito que poderemos aprender bastante sobre a utilização da lã de carneiro.
Confiram:
http://caixadagua.com/blog/
Sexta-feira linda e beeeeem menos frio aqui no Sul de Minas. Bom fim de semana!
Confiram:
http://caixadagua.com/blog/
Sexta-feira linda e beeeeem menos frio aqui no Sul de Minas. Bom fim de semana!
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Carona Rapidinha!
Não gosto de "pegar carona" em outros blogs, mas estou abrindo uma exceção: as meninas do blog "Tricoteiras" postaram um artigo bacana sobre a lã natural, que vale a pena ser repassado. Aqui vai ele:
Que bom saber que a mentalidade está mudando e as fibras naturais estão começando a ter o devido valor e respeito.
Fabricantes, H-E-L-L-O: acordem, vocês precisam acompanhar essa tendência!
Fabricantes, H-E-L-L-O: acordem, vocês precisam acompanhar essa tendência!
Como o artigo se chama "Manifesto da Lã", eu assino embaixo!
Inté!
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Manifesto contra o frio?
Quase isso. Andei sumida aqui do blog por duas semanas, e a causa principal, lamento dizer, foi o frio. Explico:
- Não tá dando para ficar sentada na frente do PC pesquisando ou digitando. As mãos congelam.
- Não tá dando para sentar diante da roca e ficar parada fiando - congela o corpo todo!
O que tá dando para fazer?
Bem, o ateliê de patchwork está funcionando em um ritmo calminho este mês, por conta das férias escolares - muita gente viajando e etc. Quando estou dando aula eu me movimento sem parar, então não sinto tanto frio. Mas quando a gente pára o corpo grita: Sol, please! Aí eu fico inventando desculpas para ficar no quintal - varrer, pendurar roupas, mexer com plantas, etc. Essa semana eu fiz um pouquinho de tricô - sentada ao sol. Mas meu hábito de assistir a filmes à noite, fazendo tricô ou fiando, já era. Assistir a filmes só debaixo de muitas camadas de cobertores e com uma fumegante caneca de chocolate nas mãos.
O que tricotei? Este "kit de emergência":
- Não tá dando para ficar sentada na frente do PC pesquisando ou digitando. As mãos congelam.
- Não tá dando para sentar diante da roca e ficar parada fiando - congela o corpo todo!
O que tá dando para fazer?
Bem, o ateliê de patchwork está funcionando em um ritmo calminho este mês, por conta das férias escolares - muita gente viajando e etc. Quando estou dando aula eu me movimento sem parar, então não sinto tanto frio. Mas quando a gente pára o corpo grita: Sol, please! Aí eu fico inventando desculpas para ficar no quintal - varrer, pendurar roupas, mexer com plantas, etc. Essa semana eu fiz um pouquinho de tricô - sentada ao sol. Mas meu hábito de assistir a filmes à noite, fazendo tricô ou fiando, já era. Assistir a filmes só debaixo de muitas camadas de cobertores e com uma fumegante caneca de chocolate nas mãos.
O que tricotei? Este "kit de emergência":
Uma boina e uma par de luvinhas sem dedos. As luvinhas quebram um galhão e me convenceram a sentar aqui hoje e tentar escrever:
Na foto acima, participação especial de meu pijama de flanela, que ainda não tirei apesar de já serem... que horas mesmo? Deixa pra lá!
A boina ainda está blocando, ou seja: molhei um pouquinho, espremi dentro de uma toalha e arranjei um prato dentro para ela secar no formato:
Espero que seque logo, antes que comece a nevar!
O fio é o Cascade 220 da Cascade Yarns. 100% lã peruana, custa cerca de seis dólares a meada e vem com 220 jardas - ou cerca de 200 metros. Quando comprei escolhi o cinza porque não deu para decidir entre as 170 cores disponíveis!
Nesse intervalo de tempo desde que escrevi pela última vez recebi pelo correio meu exemplar trimestral da Spin Off, revista sobre fiação artesanal que já citei aqui várias vezes. Nunca deixo de me espantar principalmente com uma sessão de notícias do mundo da fiação - fica bem claro o quanto a atividade é valorizada por lá. Essa última edição trouxe um artigo sobre uma mulher que comprou peças de bicicletas usadas e construiu... rocas!
Outro artigo bacana mostrou uma vinícula na Califórnia que abriu um estúdio de fiação e tem atraído mais visitantes ainda. No ano passado a proprietária, Lexi Boeger, instituiu o "Yarnival" - um festival anual de fibras que oferece cursos, material, inspiração, etc. - e o sucesso foi total. Já pensou com esse frio? Beber um vinhozinho e fiar? Não nessa ordem - eu teria de fiar primeiro e beber depois... Para saber mais, visite os sites da Boeger Winery e do Pluckyfluff Studios.
Mudando um pouco o assunto: tenho uma confissão a fazer. Gente, eu comprei. Sabe aqueles fios nacionais cheios de frescura, 100% sintéticos, que eu critico tanto? Comprei um novelo. Não me lembro agora o nome do fio nem o fabricante, mas é um fio daqueles cheios de pompons, para "tricotar" com agulhas gigantes:
Em minha defesa, só posso dizer: não tenho a menor intenção de tricotar com ele; comprei para enfeitar uma cortina. Acordei um dia com a macaca e enjoei de toda a decoração da casa, bem básica, em cores discretas e bem comportadas. Estou mudando tudo aos poucos, só acrescentando toques coloridos aqui e ali. Eu tinha visto na internet uma cortina simples como a do meu quarto, mas que tinha um acabamento de mini pompons coloridos em toda a volta. Mostrei a minha filha e ela perguntou: "é feito com aquela lã de pomponzinhos?" Não era, mas passou a ser! Ô, garota experta! Mas em vez de enfeitar o contorno eu exagerei e pendurei fios em todas as argolas:
Pronto! Cortina nova!
Outros toques coloridos que acrescentei ao ambiente, sem gastar quase nada:
A cabeceira da cama box (idéia do Pinterest) foi feita com três futtons quadrados que comprei na loja de 1,99 - cada um custou oito reais; acrescentei faixas para pendurar, em tecido de patchwork, e forrei botões com a mesma estampa.
As almofadas são todas feitas em casa com tecidos que eu já tinha, assim como a colcha de retalhos floridos.
Troquei a cúpula do abajur por uma rosa-choque (minha filha adolescente está chocada até agora); a mini-cômoda que aparece na pontinha da foto é a que mostrei em uma postagem anterior, feita com pedaços de dois velhos criados-mudos; ainda preciso pintá-la.
Também com tecidos que já tinha, fiz este painel em patchwork para uma outra parede. Nesta foto ele ainda não está pronto - está sanduichado e alfinetado pronto para quiltar; ele na verdade já está pronto e pendurado no quarto, mas não sou boa em fotos dentro de casa - saem terríveis!
Filtro dos sonhos feito com um circulozinho de crochê que eu já tinha (uma antiga amostra), um aro de plástico recortado de um pote (e forrado com fio perlé) e fitas, rendas, sianinhas e contas coloridas. Segundo a tradição, falta acrescentar uma pena.
O revisteiro é uma floreira de madeira, pintada de laranja. Também idéia do Pinterest.
Bastidores exibindo tecidos de algodão (essa idéia já é antiga, há anos vejo isso na internet); as borboletas são de mdf pintado. A foto não está boa - como disse, minhas fotos em ambientes internos nunca saem boas.
Essa semana o pessoal do Fotoclube de Pouso Alegre está promovendo um curso aqui na cidade; eu queria muito fazer, mas no momento não tenho nem o horário livre nem o din-din. Um dia eu faço.
Por hoje é isso. Até a próxima!
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